sábado, 26 de dezembro de 2009

Lençóis

Eu nunca mais troco os lençóis
-pensando que você vai ficar.

Pela poesia

Quando me despeço de você, sempre que me despeço de você, tenho vontade de agradecer por um dia você ter me amado. Eu era mais bonita quando você me amava. Eu gostava de fingir que dentro do meu peito não havia só um monte de veias e tubos, havia um troço grande pulsando todo o meu sangue. Você sorria em paz quando me olhava, como se nunca tivesse existido solidão e frio. Sinto falta de quando eu não era insignificante. Sinto falta do seu abraço, que me lembrava o berço em que dormia. Me ame de novo, eu peço. Só para que eu possa escrever mais poesia.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O amor tem cheiro de pólvora


E exala no nariz de quem insiste, fere o pulmão de quem inala, dói a quem respira, destrói o coração de quem se cala, pensando ser imune. O amor tem cheiro de pólvora sim, mas o cheiro engana, as balas são de festim.

Sala de cinema

Você se lembra daquela sala de cinema?
Sala vazia de cinema, eu e você, sem ver filme algum.
Aquele dia, sabe, eu achei que a vida era um filme.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Não muito

Quando eu te vi pela primeira vez, acho que foram os seus olhos claros que me convidaram. Havia tanta gente. Você me olhava com medo, parecia que era medo. Pelo tempo que demorou a vir me perguntar qualquer coisa, acho que era mesmo um pouco de medo. Você dizia coisas tão fascinantes. Ou era eu que escutava só o que eu queria ouvir? Você me ganhou desde o primeiro olhar. E foi me ganhando. Mas você parece me perder aos poucos agora. Eu não sei se espero, se vou, se é cedo ou se é tarde. Você me confunde. Eu não consigo te decifrar, você carrega qualquer coisa de saudade. Antes mesmo de você chegar eu já estou sentindo saudade. Acho que é a ausência, que mesmo que você lute contra ela, você aprendeu a ser ausente. Eu carrego uma multidão no peito. São muitas e muitas pessoas. E todas elas querem um pouco. Todas elas sentem saudade, você consegue deixar a multidão do meu peito sozinha. Você consegue não dar a mão para nenhuma das pessoas que eu trago comigo. Eu não peço muito, posso transformar essa multidão em uma só. Eu não peço muito, só não quero mais essa sua saudade.

caged


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Que você segurasse

- O perigo nunca vai deixar de existir, disse ele meio ofegante. Talvez estivesse cansado de tentar explicar para ela.
- Pode ser, e é por isso mesmo que eu gostaria que você segurasse a minha mão, ela respondeu.

E então, as coisas ficaram um pouco mais complicadas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sometimes I feel

like I am a sad memory of everything I never wanted to become.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Lições de um vazio

O vazio inevitável do fim do dia voltou a aparecer. Discretamente, enquanto eu estou distraída pensando no que será que amanhã. É um vazio bonito, até. Quase se confunde com um sentimento de impotência, de insignificância. Mas é um vazio, apenas. Não esvazia o meu ser, não me deixa desiludida esperando algo para preenchê-lo, ele apenas é. Tem dias que sinto uma paz enorme em estar aqui, tem dias que passo cheia de dúvidas se eu deveria estar em outro lugar. E o vazio, que passa o dia todo escondido, surge segundos antes de meus olhos fecharem para dormir. Não luto contra ele, não sofro (só às vezes que sofrer me faz grande), eu deixo o vazio ali, porque ele é meu e com ele eu aprendi a coexistir.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Me deixe partir:

Enquanto ainda estou inteira.

caneta de dedos

Não consigo disfarçar a vontade de escrever poemas em seu peito. Será que algum dia você me deixa?

Es.colher;

Eu te escolhi. Outros me olhavam, outros pareciam talvez até um pouco mais interessantes, mas eu escolhi você. Que esquisito, eu já havia escolhido outros outras vezes. Dessa vez tudo foi diferente, dessa vez não era tão simples assim, dessa vez havia um diferencial tão complexo: você me escolheu também.

Acho melhor não publicar

Fico cheia de rascunhos. Nas minhas mensagens de texto, nos meus e-mails, no meu blog, nas minhas declarações, e hoje percebi: nos meus olhares também.

domingo, 6 de dezembro de 2009

para o peito

Eis que volta,
depois de tanto tempo perdido,
o coração
-para o peito.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Não vá

Por favor, não vá.
Parei de esperar
que você seja outra pessoa.
Por favor, não vá.
Acho que aprendi
a enxergar você.
Não vá,
eu quero te conhecer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Someone to tell you


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Eu vou contar o que aconteceu

Ela sempre quis fugir da solidão. Quando ele perguntou, ela logo falou o nome dela, com esse propósito. Mesmo que subliminar, mesmo que camuflado nas suas risadas sem jeito. Ela aceitou a carona dele, achando que não iria ficar sozinha estando ao lado dele. Ele parecia tão especial. Ela esperou a ligação dele. Esperou, porque sabia que ele era alguém, e eles dois sendo alguém juntos, naturalmente não estariam sozinhos: um teria o outro. Era isso que ela pensava. Ela nem quis saber. Passou a esperá-lo no portão. Passou a sorrir quando pronunciava o seu nome. Mas, sabe, ela estava enganada. Tão enganada, meu Deus. Ela achava que sabia o que era a solidão, mas foi só depois de conhecê-lo que ela viu o que realmente era a solidão. Nada a deixava mais só do que estar ao lado dele. E foi isso que aconteceu.

domingo, 29 de novembro de 2009

O balanço espera


Gosto de pensar que por trás de toda essa petulância, de toda essa certeza, de tanta sabedoria e seriedade, há um menino. Gosto de imaginar que esse menino gosta de correr, que ele gosta de dar risada, que gosta de aprender coisas novas. Sei que deve haver, em algum lugar por trás do que eu vejo, algo que eu não posso ver. Deve haver uma necessidade de um colo, deve haver uma vontade enorme de tomar sorvete a qualquer hora, deve haver. Quando descobri o seu olhar no meio daquela gente toda, eu vi um menino. Com o tempo esse menino foi sumindo, foi se escondendo, acho que ele foi se proteger. Mas eu quero que saiba, (e eu falo com o menino apenas, não mais com o gente grande) que você pode sair aqui fora um pouco. Saiba que por trás desse meu cansaço, desse meu desânimo, desse meu olhar triste que chora, há uma menina louca para brincar com você no balanço.

sábado, 28 de novembro de 2009

até eu saber

Não sei se eu tenho essa capacidade de não amar quem me abraça. É difícil, se recebo tão poucos abraços. Vou continuar me segurando para não te amar, até eu saber que você me abraça por amor e não por solidão.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Seremos distantes

Estou me esforçando para não olhar demais para o seu rosto. Me esforço também para não pegar na sua mão e nem encostar no seu ombro. Vou fazer todos os esforços que a sua frieza pedir, até que um dia eu me torne distante sem mais esforço. Seremos dois distantes, que talvez boiem no meio de uma lagoa (ou seria represa?). Você não vai segurar a minha mão e nem perguntar como foi o meu dia, mas isso não vai fazer diferença já que eu nem vou notar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

24 de novembro de 2009

Que saudade de qualquer outra coisa, em qualquer outro lugar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Como será o seu adeus?


Como será o seu adeus?
Penso que algumas coisas serão inevitáveis,
e que se entre elas o adeus for também,
espero que seja olhando nos olhos.
Não quero um adeus só na voz.
Quero ver o seu olhar de quem não volta,
- se você decidir não voltar mais.

domingo, 22 de novembro de 2009

ímã

Não estou sabendo lidar com você. Tenho medo às vezes e quando eu não tenho medo, eu tenho silêncio. Talvez você seja como o mar sendo visto pela primeira vez. Ou então o escuro. Ainda não sei.

sábado, 21 de novembro de 2009

A próxima

Ela não sabia se falava logo tchau, ou se pedia para ele. Então pediu. Não me deixe sozinha hoje, por favor, eu não quero. Ele fez aquele sorriso didático que lhe é de costume e respondeu. Você não tem medo, né. Claro que não, só não quero. Ele continuou dirigindo, e disse desinteressado: não sei. Pode ser que dentro dele, ele quisesse abraçá-la e protegê-la, do jeito que ela gosta e ele sabe. Mas não foi isso que ele mostrou. Ele só disse não sei. Então, quando chegaram na casa dela, ele achou aquilo uma bobagem e disse: fica para próxima. E deixou ela sozinha. Na próxima, ela pensou, eu não vou pedir para você ficar comigo, eu vou querer ficar sozinha, porque você me ensinou. E ela foi dormir, no silêncio da noite.

Em algum lugar

Eu também te amo
Em algum lugar.
Espere por mim,
Eu também estou perdida.
Não desista
De me encontrar,
Tudo tem sido muito difícil para mim
Enquanto isso.
Você não chega e eu acabo
Me confundindo.
Eu sempre acho que você é outra pessoa.
Mas você nunca é.
Não desista de mim.
Eu estou em algum lugar
Que você ainda não foi,
Mas eu estou aqui.
Se você soubesse quantas vezes
Eu me confundi.
Tem sido difícil te encontrar,
Em tantos lugares vazios.
Mas sabe, eu não vou desistir de você.
Pode demorar, eu não me importo.
Quando você me reconhecer,
Pode ser que, de repente,
Eu me reconheça.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Entregue em mãos

Saiba, pois, que entregar um poema na mão exige muita coragem.
A gente se expõe ao rídiculo de não saber escrever,
Mente um pouquinho, doces mentiras.
Um poema entregue em mãos nos deixa nus.
Ainda mais se a mão que recebe
não aplaude
-nem um pouquinho.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O eu te amo da Bianca

Ela tem cara dessas pessoas que não falam "eu te amo" para ninguém. Nunca. Na verdade não é só cara, ela realmente não fala. Mas eu aceitei fazer parte mesmo assim. Driblando um certo mau-humor e pessimismo fomos indo, eu cheia de querer sugar a vida e ela cheia de querer cuspi-la. E não é que os anos passaram bem devagar (ou rápido demais?) e ela esqueceu de ser mau-humorada e pessimista? Esqueceu. Claro que há certas hipóteses para esse esquecimento, mas eu não vou dizer. (Será que ela fica muito brava se eu disser?) Pra mim, foram os quatro olhinhos que surgiram de repente. Ela pôde entender um pouquinho melhor como tudo isso é sim um milagre. E também ela gostou de ser tão, mas tão amada por duas coisinhas minúsculas. Mas não foi só isso. Também teve a mãe que, de repente, se deu conta -mais do que antes, do tamanho do buraco que ficou depois que ela veio para a cidade grande. A mãe sorriu mais para ela, e ela sorriu mais para a mãe. Eu, narcisista que sou, não posso deixar de citar minha participação nisso tudo. Minha e da Marina, quase igual. Mostramos para ela o quanto ela é fundamental para um certo mundo (o nosso). Ser fundamental é fundamental para a sobrevivência, e acho que ela não sabia disso. Claro que houve mais coisa. Muitas outras coisas, mas eu não saberei explicar. Talvez só um estudioso de psicologia saberia. O fato é que ela esqueceu de ser mau-humorada e pessimista, e sem nem peceber, passou a querer sugar a vida também. Hoje eu chorei um pouquinho. Ela desceu do carro, e antes de bater a porta com seu jeito meio agressivo, falou: "Te amo" e saiu.

domingo, 15 de novembro de 2009

Se a vida fosse um filme

Sinto que você vai me magoar.
-Táxi!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Te conheci por acaso

Tenho certas coisas para dizer, mas acho que seu ouvido não serve para escutá-las. Desde o dia que te conheci por acaso, eu não disse mais nada. Talvez não tenha sido acaso. Não sei.

Sobre vidas que eu não salvo

Quando eu escrevo nenhum milagre acontece. Nenhum. Nem mesmo dentro de mim. Tudo se mantém igual e eu não consigo salvar nenhuma vida. Mas não é disso que eu preciso. Eu só preciso encontrar alguma coisa, e talvez eu encontre um pedacinho do que eu procuro. Eu escrevo para encontrar a parte de mim que eu perco enquanto vivo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poesia de cemitério


Fotografada com meu celular na Rua Cardeal Arcoverde, em São Paulo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Só eu vejo


Um dia eu já quis deixar a Terra.
-Não foi hoje.
Um dia eu já quis me encontrar do outro lado,
e conhecer outras partes do ser,
mas hoje, sem dúvidas, não foi.
Hoje eu não quis ser outra, não quis mudar meu sentido.
Quis deitar em minha própria cama,
ter meus próprios sonhos,
(que, embora escassos, chegam a sobrar em mim.)
Quis ter esses meus olhos,
e ver tudo que estou vendo agora:
Essa beleza toda que não há,
mas eu vejo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Eu te desprezo agora

Te desprezo como um preso despreza a vida lá fora.
Te desprezo com todos os meus dentes.
Desprezo forte, muito forte.
Se desprezasse menos, não poderia escrever-te mais uma palavra.
Se desprezasse mais, poderia subir a escada sem pensar em ti.
Eu desprezo, desprezo sim.
Desprezo tudo que vem de ti, desprezo o teu cheiro também.
Eu desprezo cada segundo que tu respiras,
desprezo o meu peito quando foi teu, desprezo o teu amor fingido.
Eu desprezo-te com toda a minha voz,
com o meu coração, com tudo, tudo, tudo que há em mim.
Te desprezo tanto, não vês?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

modernidade

Mandei uns 5 emails hoje, só para pessoas muito importantes para mim. Engraçado, eu fiquei feliz, mesmo sem nem ter dado tempo de resposta. Estou me sentindo enorme.

I'm glad

Good night, rain. I'm glad you came tonight.

Eu preciso ir embora

"It's funny. Don't ever tell anybody anything. If you do, you start missing everybody."
(The Catcher in the Rye, J.D. Salinger)

Eu não costumava ser assim. Eu até falava bastante de mim antigamente, adorava explicar as minhas teorias e falar do meu passado. Mesmo porque o meu passado é uma delícia. Não sei se foi um fato pontual que me calou por enquanto. Também não sei se é só por enquanto. Mas o meu passado continua bonito, continua mesmo. Eu é que fiquei um pouquinho mais medrosa. Cuidadosa, talvez. Prometo que qualquer dia desses eu falo um pouco mais. Só que não gosto de falar muito. Eu sempre me arrependo depois, fico achando que estou nua. Que você pode rir da minha participação insignificante no mundo. Ou que você pode achar tudo isso um pouco bagunçado demais, você que é arrumadinho. Eu gosto de você, e quando eu gosto de alguém eu fico morrendo de medo de ouvir "eu preciso ir embora." Pra mim isso é pior do que um "eu nunca te amei." Eu supero não-amores, mas despedidas eu não sei. Fica tudo meio engasgado, eu fico perdida no meio da rua da minha cabeça. Quantas vezes já escrevi sobre adeuses? Eu acabo indo embora antes de ser abandonada, não consigo. Devem ter sido muitos desencontros. Tenho medo de virar aquelas pessoas que não se apegam, porque tiveram que desapegar demais. Apesar de que eu acho que já não posso mais partir, acho que é você que terá que ir. Será que você vai mesmo embora? Se for, não deixe de perguntar mais uma ou duas coisas sobre mim, para você eu quero falar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Na nossa frente, em outro mundo no entanto



E, no entanto, ele caminhava tranquilo.
E, tão tranquilo no entanto, talvez mais até do que eu.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Você me dá

medo, curiosidade, às vezes um frio misterioso, medo, um dia deu azar, sensação de estar perdida, sensação de estar segura, medo, mais curiosidade, medo medo medo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

When you say it

I read this once somewhere, and now I can say it for myself: I love how my name sounds safe in your mouth. It sounds like a special name when you say it.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eugênia

Talvez uma das minhas pernas fosse coxa e talvez minha existência tenha sido mesmo insignificante. Mas, na verdade, mal sabes ti que eu não o admirei como pensaste. Eu o quis porque tu me admiraste, e isso me foi bonito. Quando finalmente viste os meus defeitos, fostes embora. Eu agradeço por fim, por teres partido. Tu eras tão manco quanto eu, mas eu era manca apenas na perna. E tu? Bom, tu era um ser coxo da cabeça aos pés. Tua existência foi coxa e morreste tão só quanto eu.


domingo, 25 de outubro de 2009

na mesma gaveta

Tenho que admitir um dos meus maiores erros: guardo multas de trânsito e cartas de amor na mesma gaveta.

Qualquer um

Por que o seu silêncio é sempre muito mais longo do que qualquer um dos seus sons?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cheiro errado


Não gosto do cheiro da sua chegada: é cheiro de despedida.
Sabe cheiro de quem vai embora?
Espero que o seu perfume abafe esse cheiro que me arde,
espero que minhas narinas estejam erradas,
espero que o mundo inteiro reinvente o cheiro das coisas.
Não quero mais que esse seja o seu cheiro: eu quero que você fique.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Me deixe

Me deixe achar tudo sem graça
Sem que eu perca a graça de achar

Teorias conspiratórias

Preciso de uma tesoura para recortar um anúncio de jornal. É sobre ganhar muito dinheiro escrevendo alguma coisa. Não pude ver direito o que eu preciso escrever, mas o dinheiro é muito e eu adoro escrever. Se for sobre carros eu improviso, sobre esportes também. Se for sobre política eu dou um jeito de xingar todo mundo. Se for sobre Deus, eu invento um. Se for sobre amor, rasgo meu peito, fica fácil. Preciso mesmo da tesoura. Acho que é sobre a guerra que estão inventando. Talvez sobre teorias conspiratórias, parece que criaram umas novas, vão fazer um filme. Não sei o que é, mas com a grana dava para eu ir viajar um pouco. Uma praia bem distante. Uns coqueiros. Adoro coqueiros. Olhar para eles. Talvez eu até levasse alguém comigo. Achei o anúncio, tá aqui. Vou cortar. Ah. É para escrever marchinhas de carnaval. Não, sem chance. Marchinha de carnaval não. Pode levar a tesoura de volta. Nem tô precisando de tanta grana assim.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Deixadas como estão

Tive uma insônia brava ontem. Não sei se foi por conta do café que tomei (como uma chicarazinha pode ser tão potente?) ou se foi por conta do meu coração meio disparado, meio parado. Não sei o que foi. Eu apenas acendi a lâmpada de criadomudo e fiquei olhando as coisas em volta. Não ouvi música, não peguei meu livro e nem tomei um copo de água com açúcar. Eu fiquei olhando um par de sapatos no chão, a bolsa aberta com a carteira meio para fora, alguns papéis caídos (seriam multas, cartas?), achei um pouquinho incrível. À noite as coisas ficam silenciosas, esquecidas, deixadas como estão... Parece um quadro bonito.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pouca noite

Foi estranho. Estranho mesmo. Eu olhei para a janela do carro e comecei a achar tudo um pouco diferente do que era antes. E a noite não tem culpa, eu é que não consigo dormir: são muitos sonhos para pouca noite.

domingo, 18 de outubro de 2009

sem título, porque eu quis assim

Gostaria muito de passar por uma avenida, uma avenida bem grande e movimentada, sem ter de explicar a ninguém por que eu passei por ali.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Sinto sua falta"

Sentir a falta é ter algum espaço vazio, e no seu peito não há nenhum espaço vazio.

Lição de Casa

Quando eu estava na segunda ou terceira série, minha lição de casa era fazer um poema com palavras que rimassem. Foi uma das lições de casa mais legais que tive até hoje. Na época tive grandes dificuldades, e chamei a mamãe:
-Mamãe, eu só consigo rimar "tristeza" e "Tereza", e não consigo fazer nenhuma frase!
Minha mãe passou o resto da tarde se divertindo comigo. A gente juntas fez o poema mais lindo da classe (na verdade minha mãe fez quase tudo). É claro que hoje eu não lembro do poema, mas eu lembro que era mais ou menos assim:

A tristeza de Tereza
Por Maria Clara Moraes e Thelma Bombonato

Se sentia Tereza tristeza
A tristeza não sentia a Tereza
E Tereza sentia ainda mais tristeza,
porque a tristeza não sabia de Tereza.

Acho que era por aí. Eu nunca vou saber ao certo como era o poema, porque ele ficou perdido em algum caderninho da terceira série, e nem sei se ele ainda existe. Sei que toda vez que me sinto um pouquinho triste, vem a frase na minha cabeça "A tristeza de Tereza" e me lembro da vozinha que minha mãe falava comigo quando eu era pequena. Eu sorrio.

Continua a tristeza sem saber de Tereza?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não fui embora porque

Não posso partir sob o luar.
Faz muito frio de madrugada,

E falta luz para me guiar.
Me abandone você então,
Mas vá à noite:
Prefiro perder na escuridão.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

il mio principe

Ver-te foi leve
Leve como a tua despedida
faz quase um ano, tu te lembras?
Que partiste sem cerimônias.
Ver-te foi bonito,
porque tu estavas igual.
Igual àquele que um dia amei,
igual àquele que me fez chorar,
escrever tanta poesia,
e continuar andando.
E ver-te me fez lembrar
que eu sei caminhar
mesmo depois
de ouvir adeus.
E agora eu é que digo,
com a boca feliz
a boca que já não é tua
a boca que ouviu muito, depois de ti
eu é que digo:
adeus, amor meu.

Para R. A.

sábado, 10 de outubro de 2009

E eu esqueço de todo resto

Quando estamos tão distantes fica fácil te achar uma mentira.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Freud, me explica?

Tantas foram as vezes que eu olhei a sua foto,
Que já decorei todos os seus contornos,
Sei desenhar o seu sorriso igualzinho está no retrato.
Gostava muito de olhar você congelado naquele instante.
Hoje eu não gostei.
Hoje eu, de repente, esqueci os seus traços,
Não soube desenhar.
Mas o mais estranho disso tudo foi
Que naquela foto tão antiga de você,
Fui olhar hoje de novo,
E o seu sorriso não estava mais lá.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eu queria

Queria ter
Um pouquinho de vergonha na cara
Ou até um pouquinho (mais) de preguiça

Queria ser
Um tantão mais corajosa
E um tantão mais qualquer coisa

Eu queria ser um pouco menos eu
E um pouco mais o que eu sou de verdade

Eu queria ter menos vontade
menos saudade

Se o meu peito fosse
Um pouquinho maior
Talvez eu te convidasse
Para vir morar
E talvez eu não quisesse
mais nada.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

The sweetest thing


Entrou ele primeiro no ônibus, depois ela. Ele tinha uma cara de bravo, era grande e forte. Contrastava completamente com a menina, que era quase uma bonequinha de vestido rosa. Ela segurava a mão dele e sorria. Ele pagou as passagens e foi procurar um banco. Ela soltou a mão dele e foi correndo se sentar no assento com a marcação amarela. Ele foi atrás dela com aquela cara brava, pronto para explicar que ali ela não poderia se sentar, pois era assento preferencial. Mas antes que ele abrisse a boca, a menina-bonequinha apontou para o adesivo na janela e disse com uma voz fininha:
-Papai, qual dessas menininhas você escolhe? Eu escolho a do bebezinho!
Para Vivi

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

5 de outubro de 2009


Eu fico achando que eu sou enorme. Que sou toda forte, que eu posso tudo, que tudo vai ser maravilhoso para onde quer que eu vá, que tudo está bem assim. Eu fico achando que aguento tudo, que tudo sempre dá certo. Dou discursos, conselhos, dicas e lições de moral para quem quiser ouvir. Tenho palavras para dar e vender. Mas aí, acontece uma coisinha como aconteceu comigo hoje, uma coisinha dessas que faz a gente ficar meio nervosa, e então tudo cai por água abaixo. Eu já não sei mais onde estou, quem eu sou e para onde estou indo. Eu fico fraquinha, como aquela abelha que acabou de morrer na minha janela. Eu não sei mais onde estão meus propósitos, quais são os meus propósitos. Para quê eu sirvo, para quem eu sirvo, eu sirvo para alguma coisa? Já não sei mais nada. Mais o pior disso tudo é pensar que eu estou sozinha nisso tudo.

Desculpa, pai. Desculpa, desculpa, desculpa.

domingo, 4 de outubro de 2009

E ele disse:

-É isso que dá dar voz ao escuro.

la nature morte de vos yeux

Que morra logo de uma vez a natureza morta que guarda o seu olhar

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eu acho que é isso


Às vezes a gente tem que despistar todo mundo para que ninguém veja a alegria absurda que estamos sentindo. Para que ela não escape no meio de tantos olhares curiosos, para que ninguém nos a tome (mesmo que sem querer). Assim também acontece com a tristeza profunda. Temos que despistar todo mundo, para que ela não se espalhe e acabe penetrando outras vidas e deixando tudo azul. Para que ela não saia de nós e passe para quem precisamos ver sorrindo. As máscaras diárias protegem a nós mesmos e salvam vidas. É preciso saber usá-las, no entanto, para que a vida não seja vivida por trás da máscara, na solidão. É preciso saber deixar o pouquinho exato de tristeza e o pouquinho exato de alegria transbordarem para todos os lados e penetrarem em alguns cantos.

Vingança

Tem dias em que eu quase me desculpo ao resto do mundo por ter nascido, e me escondo dentro da cama, por vingança à minha enorme vontade de sair vivendo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Acabei nem dizendo

Se eu não soube me despedir
A vida fará isso por mim
Um dia, por fim
Enquanto eu estiver distraída
Ou enquanto eu dormir

Que seja enquanto eu durmo, para que eu não veja o último instante
Que seja incompleto, para que eu fique com o restante

Sempre fui de acreditar
Mas dessa vez eu não sei
Se o nosso caos tem cura
Se há buraco nessa fechadura

É que eu nunca vi isso antes

Nunca vi essas cores, esses sinos, essas flores
Tudo que há no seu peito
Tudo que causa esse efeito
E o que resta pra mim são só as dores

Mas se eu implorar mais um adeus,
Se jurar partir para nunca mais
Me segure
Me peça para ficar
Me impeça de falar
Não deixe que eu parta
-ao meio
jamais

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

As flores do pessegueiro


E as crianças aprendiam a ler com poemas.

domingo, 27 de setembro de 2009

Eu não gosto de domingo

Porque nesse dia eu me sinto mais só do que todo silêncio que a Terra faria se não existisse mais nada.

sábado, 26 de setembro de 2009

Feliz aniversário

Quando olhei para você depois de ser jogado na piscina, eu finalmente vi que mais um ano se passou, e você ainda não foi embora de lugar nenhum.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Rascunho no guardanapo

Uma vez você disse que eu deveria aceitar apenas o extraordinário
Pra mim você sempre foi o que eu deveria esperar
Você disse para eu ficar
Mas você sempre foi embora
Os seus olhos mentem, e eu já sabia
Mesmo assim eu gostava de olhar
Você já ia comprar aquela guitarra
E eu achei que era para mim
Você já tinha planos formados
E eu achei que era tudo por impulso
Você nunca teve coragem
Nunca teve certeza
Nunca soube o que fazer
E pra mim não importava
Mas no fundo eu ficava esperando
Eu poderia até fazer uma música
Para o beijo que você me deu
E depois você poderia cantar
Acho que todos os dias eu fazia músicas
E guardava para um dia você cantar
Eu era uma flor caída no chão
Você me pegou
Mas eu não coube no seu buquê
E você me deixou cair sem querer

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Minha foto preferida

Resolvi começar a tirar fotos de todas as coisas lindas que eu vejo durante o dia com o meu celular. Tudo que eu acho lindo eu tiro uma foto. Hoje eu descobri como faz para passar essas fotos para o computador, fiquei muito feliz. Consegui ver as tantas fotos de troncos de árvores que tirei (porque alguns troncos são realmente lindos), fotos do pôr-do-sol na Marginal Pinheiros, a própria Marginal à noite com suas tantas luzes, uma loja de brinquedos, uma ou outra pessoa querida, e essa foto, que de longe é a minha preferida:




E já que o meu amigo William disse que adora fotos com histórias, vou contar a história dessa. Estou fazendo um videodocumentário sobre professores de escolas públicas. Hoje fomos entrevistar uma professora cujo apelido é "pink" porque ela adora cor-de-rosa. Eis como estava a lousa da sala de aula onde ela leciona. Achei essas perguntas extremamente difíceis de responder. É possível que eu tirasse zero.

Não se assuste

Me disseram que todas as coisas que não são relacionadas a saúde têm cura. É por isso que eu estou com essa cara esquisita, estou procurando um remédio para mim nessas prateleiras todas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

As cores das coisas


As cores são exatamente o que elas não são. Lembra da aula de física? O Azul, por exemplo, é de todas as cores menos azul. Newton explicou que as coisas absorvem cores, e refletem as cores não absorvidas. Então se uma folha é verde, é porque ela absorve todas as cores menos o verde, e reflete somente o verde. A folha é de todas as cores menos verde. E é assim com todas as coisas. Às vezes a gente se pega numa situação que Newton não saberia explicar tão bem... A gente pode jurar que o sinal está verde, mas lá no fundo, bem lá no fundo, a gente bem sabe que essa é a cor que nós estamos refletindo, porque o sinal está de todas as cores, menos verde.
-
"Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos" (Anais Nin)

domingo, 13 de setembro de 2009

Estar aqui

Alberto Caeiro, um dos heterônimos do Fernando Pessoa, dizia que não sabemos o que há além da curva da estrada, e que não importa o que há por lá. E mesmo se houver buracos, e mesmo se tivermos que cair nesses buracos, e mesmo se não houver nenhum jardim e mesmo se houver alguém, e, pior, se não houver ninguém:

"Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer"

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não deixe que escape

As coisas todas aparecem.
Misteriosamente aparecem com o nada.
No chão, com o vento, para o céu.
(Aparecem e podem sumir).
Segurem-nas com as duas mãos.
Não as deixem voar com os pássaros,
Não as deixem escorrer para o ralo,
Com a água do banho.
Não as deixem soltas como pétalas caindo da flor,
Porque não são flor.
O vento é fragil, fraco, não se vê,
Mas às vezes leva tudo o que se tem,
(Violentamente, como se as coisas não precisassem de despedidas),
Como se tudo bastasse no momento em que se acaba,
Como se nunca ficasse um talvez, um suspiro, uma lágrima.
As coisas todas aparecem. Sempre.
Tudo que se quis, tudo que se quer, tudo que não se tem: aparece.
Não deixe que nada escape.
Porque as coisas se vão, misteriosamente.

is it really?

Feel this. It's my heart, and my doctor said it is beating.

Coleção


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Para onde foram?

Para onde foram as palavras que um dia sussurrei em um ouvido? Elas foram para algum lugar? Ficaram naquele ouvido? Foram para algum órgão, o coração? Queria seguir o percurso de cada palavra, letra por letra, para garantir que elas chegassem em algum lugar. Eu não gosto de desperdiçar palavras, sinto que já desperdicei demais.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Fotografia


E a sua fotografia continua ali, imóvel e calada como ela sempre foi. Talvez um pouco mais imóvel e um pouco mais calada. E agora ela me dói. Seu rosto de lado, como se fizesse uma pose sem querer. Porque a impressão que tenho de você é que faz tudo sem querer. Sem querer me olhou, sem querer me quis, sem querer me prendeu em armadilha. E a sua fotografia agora me dói, porque eu estou presa à sua armadilha. E você, (será sem querer?) levou embora um pouquinho de mim.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Abscense

There are thousands of pictures being taken right now, but I am not in any of them.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Apenas o necessário


Eu tenho um amigo incrível. Ele faz festa na casa dele toda sexta-feira, não pára quieto, faz amizade com qualquer pessoa que passa na vida dele e o mais legal de tudo, ele adora ler. É dessas pessoas que é muito, muito difícil mesmo de não gostar. Ele tem umas frases bem divertidas que são marca registrada dele, e a que eu mais gosto é sempre pronunciada nas festas de sexta-feira: "Pessoal, quebrem apenas o necessário". Essa frase anda ecoando na minha cabeça. Tenho vontade de dizer para todas as pessoas que fazem festa no meu coração: "Ei, quebre apenas o necessário..."

domingo, 30 de agosto de 2009

Iniciais

Gosto de iniciais. H.O., R.E., S.K., M.C., gosto de como elas são misteriosas. Eu fico imaginando os nomes que as iniciais guardam. Gosto de como elas guardam pessoas misteriosas de óculos pretos, ou pessoas inseguras de vestido azul. Algumas iniciais protegem bem os nomes e outras nem tanto. Gosto de como iniciais pertencem a reis, rainhas, marcas de camisetas e à pessoas que cometem erros.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

à-braços

De todas as coisas que eu prefiro, eu prefiro um abraço. Deixo que me abracem por horas e horas seguidas. Não vejo outra utilidade para meus braços senão abraçar. Porque eu, criatura perdida nesta vida que Deus me deu, sou feita inteirinha de abraços que recebi.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Avisos vãos

Disseram que ia chover e eu deveria ter escutado, porque eu não trouxe o meu guarda-chuva e a garoa já começou. Eu nunca ouço essas coisas, e a vida sempre trata de me deixar encharcada.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

How to explain?

If any man in this world asked me right now:
-Will you marry me?
I'd tell him that I'm too young. That I still have a lot of things to live. That I want to study some more, that I want to work at a place where I'd have very few money but many pleasure, that I want to see so many things. I'd tell him that I can't right now. I have pictures to take. I want to play a little bit more with the child inside of me. I have too many parties to go to, too many interesting people to meet, too many flowers to receive. "I can't marry you yet", I'd say.
But if you asked me:
-Will you marr...
-Yes!

And we could do all of that together.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009


Eu não acredito

Eu não acredito em amor à distância.
E você, aqui do meu lado, está muito longe de mim...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Me basta


Para mim, me basta que tu me olhes.
Não preciso de muito: de presentes ou promessas.
Não preciso tocar o teu corpo, não preciso beijar os teus lábios.
Me bastam os teus olhos cheios de vontade do que não pode ser.
Me basta a tua vontade.
Que quando falas, tuas palavras são doces, mesmo que fales de abandono e solidão.
Que quando me beijas, são os teus beijos que desejo.
Mas para mim, me basta o teu olhar.
É do teu olhar que eu tiro toda poesia.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

One silly little thing


- I will give you the world. I will give you anything you'll ask. Anything you want.

- Do you promise me?

- Yes, I promise you. But hey, there is only one thing, one silly little thing that I can't give you.

- What? What is it?

- My heart.

- It's the only thing that I want.

- Should we say goodbye?

- I wish we didn't have to.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Meu coração, não sei por quê...

Me pareceu de repente, que parou de bater...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Se molhava você

Sem saber onde te encontrar
Fui caminhando devagar
De esquina em esquina eu virava pra ver,
Se quem vinha era você
Você, como sempre, não veio
Tudo ficou assim, tão feio
Eu triste, vazia
A minha tristeza invadiu o dia
Invadiu o céu, as nuvens
E o mundo, de repente, começou a chover
Só pra ver se molhava você...

,

E que perder tudo não é só perder o que se tem...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bailarina que atravessa a rua

Eu gosto de deixar uma luzinha bem fraca enquanto eu escrevo. Quase no escuro eu fico. Porque eu gosto de pouca coisa me denunciando. Não gosto de holofotes enquanto eu escrevo, não gosto que se torne uma coisa pública. Eu gosto de fingir que escrevo por acaso. Assim como quando uma bailarina atravessa a rua, meio que sem perceber, ela atravessa dançando.

domingo, 9 de agosto de 2009

Ampulheta de nós dois


Tudo que você diz guarda uma despedida triste. Mas só eu posso ouvir o adeus de cada palavra sua. Você tem um jeito manso de dizer que o mundo está desmoronando. E eu, secretamente, às vezes desejo que ele desmorone logo. Que tudo recomece com outro começo. E você sabe o que eu queria que mudasse, mas você, secretamente, não sabe se também queria recomeçar. A gente sorri para toda essa areia caindo na ampulheta, porque somos tão tolos... Mal sabemos que o mundo está prestes a rachar ao meio, e que cada um de nós vai ficar de um lado.

Na verdade

Na verdade,
Eu só gosto de ser quem eu sou
Porque tem você,
Para gostar do que eu sou...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Negativas que trago


Eu não pertenço a mundo nenhum, a hora nenhuma, a nada. Não pertenço a nenhum cheiro e a nenhuma mão. Eu não me encaixo em um quadrado e nem em um círculo. Eu não me encaixo. Eu não entendo as coisas, eu não sei das coisas, eu não encontro nada. Eu não sei o que é o amor do meu peito entupindo as minhas veias e bloqueando as minhas passagens, não sei. Nunca encontrei um cãozinho abandonado na rua e cuidei dele até ele crescer. Eu nunca cuidei de uma planta só minha. Eu nunca consegui traduzir meus pensamentos. Não entendo quase nada que me dizem. Não entendo palavras, desenhos, símbolos. Não entendo. Não faz sentido, não faço sentido. Tenho medo lá de fora, tenho medo do mundo. Tem dias em que eu sinto que eu não sou daqui. Tem dias que eu realmente não sou daqui. Sabe, eu acho que não sou daqui.


Upside down love

Quando tudo começa pelo fim, onde é que fica o começo?

domingo, 2 de agosto de 2009

Bilhões de pessoas

Tem pessoas no mundo que são malvadas, bravas, grosseiras, pessimistas, mau-humoradas, psicopatas, sem-graças, ruins.
Mas o mundo também está cheio de gente doce, doce...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

I just had to let you know

Quando eu olho para você, eu não tenho vontade de beijá-lo loucamente. Eu tenho vontade de saber tudo que você pensa, tudo que você fez e vai fazer na sua vida. Eu tenho vontade de entender as frases que você não fala. Eu tenho vontade de conversar sobre tudo que eu quero saber e tudo que você sabe. Tenho vontade de sugar todos os seus pensamentos para dentro dos meus. Eu fico com vontade de roubar a sua calma, de roubar os seus medos e de te dar os meus. Eu fico achando que você me protege, mesmo que você nem se aproxime de mim. Sei lá o que me acontece, o seu olhar me acalma, mesmo que minhas mãos tremam um pouco. Eu não sei o que acontece, mas eu não consigo evitar. Quando eu olho para você, eu tenho vontade de descobrir um planeta novo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

...

E como dói quando um dia desses acaba assim.

Como eu descreveria aquele momento

.


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Algum lugar


Tenho vontade mesmo é de jogar tudo pro alto e ir caminhar.
Não quero fugir de tudo como fez a minha irmã, e nem ficar parada sem saber.
Quero apenas caminhar.
Encontrar pessoas no caminho.
Sentar um pouco debaixo da sombra de uma árvore.
Acenar para as pessoas que vão ficando, e acenar conforme eu vou chegando.
Eu queria mesmo era caminhar,
até chegar em algum lugar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Se devo me atirar

De precipícios eu nada entendo,
mas eu sei reconhecer um quando vejo na minha frente.

domingo, 26 de julho de 2009

Anúncios

"Os verdadeiros poetas não lêem os outros poetas. Os verdadeiros poetas lêem os pequenos anúncios dos jornais".

Mário Quintana

Um garotinho que sorri assim


Tem um clipe no youtube que chama "Candy", o cantor é o Paolo Nutini. O clipe é uma graça, está entre os meus preferidos. É um casamento em um vilarejo. Você vê, pelo olhar do noivo, pelo sorriso dele, a alegria que ele estava sentindo na hora. Os convidados, os arranjos pelos cantos... É um casamento ao ar livre. São pessoas simples, mas como sorriem! É claro que eu imediatamente quis viver um casamento assim. Eu espero o quanto for, quero um casamento assim. A foto que eu selecionei não tem a ver com toda a história do clipe, com o que citei, mas é uma cena mágica. A carinha desse garoto aparece aos 1:31, e some em uma fração de segundo. Eu quis ter, além do casamento simples no vilarejo, um garotinho que sorri assim também.

sábado, 25 de julho de 2009

Chegar, partir.

Não sei quem decide a hora de partir, se é o vento, se são os pêlos do braço que cansaram de se arrepiar, se é o sol esperando a Terra dar a volta em torno ou se é uma mão que chamam de Deus. Eu não chamo de nada, eu vou embora porque é a minha hora, e eu deixo que partam, porque não cabe a mim decidir. Eu não sei de nada, mas eu não tenho medo de partidas. Me assustam as chegadas: nada determina a hora de chegar. As pessoas tiveram de partir de alguém e de algum lugar para chegarem até aqui. Me diz: de onde foi que você partiu?

Protetor

As pessoas usam óculos escuros e dizem que é para se proteger do sol.

Mentira.

Elas querem se proteger das outras pessoas.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

se o seu olhar fosse

Posso me esconder do seu olhar?
Posso fechar os meus olhos?
Os seus olhos mentem -e eu tenho medo de mentira.
Os seus olhos que me seduzem, já são de alguém -e eu bem sei.
Pobres olhos meus:
serão enganados, serão magoados, serão abandonados?
Se o seu olhar fosse tão só quanto o meu, poderíamos olhar juntos -para qualquer lugar.
Mas os seus olhos mentem.
E os meus olhos são fragéis demais para as tantas lágrimas que viriam.

A memória é um velho álbum de fotografias

Todo mundo é um fotógrafo.

A percepção da beleza se dá com uma foto tirada pelos olhos.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Eclipse

De repente, tive um medo desesperado de não ser mais o que eu sou agora.

domingo, 19 de julho de 2009

Efêmero

1: Vem do grego epheméros, que signifca: que dura um só dia;
2: De pouca duração; Curto; Passageiro; Transitório; Breve.

Antônimos
permanente
eterno


E no meu dicionário viria assim:

O pulo da bailarina. O sopro que apaga a vela. A vontade que precede o realizar. O "não" que quer dizer "sim." A vida da mosca. A vida do beija-flor. O bater de asas. O sono antes de dormir. A minha vontade de ir embora e nunca mais voltar. O caminho da gota de chuva, entre a nuvem e a superfície que ela toca. O nunca mais. O que se sente, e que de repente, não se sente mais. O último olhar descendo a escada rolante do aeroporto. O passarinho que nunca deixa que se aproximem. A água escorrendo para o bueiro. A sujeira indo com a água. O instante de uma fotografia. Uma barra de chocolate na mão de um garotinho no recreio. A hora do recreio para um garotinho que come uma barra de chocolate. Um amor que tive antes de saber que não era amor. O beijo de quem não queria dar um beijo. Um abraço forçado. A música preferida que começa a tocar em um lugar inesperado. Uma espera de três horas para alguém que esperou uma linda mulher que surge descendo a escada. Um amor de verão. Um inverno sem graça. Uma vida sem graça.


[Uma pequena ressalva: algumas das coisas citadas são simultaneamente eternas.]

O crime de partir


Meu cachorro é muito esperto, muito. Em absolutamente todas as vezes que alguém se despede, mesmo que efemeramente, ele pára todos os seus movimentos, fica estático. Começa a encarar a pessoa que parte de tal forma que a gente se sente culpado. "Calma, eu já volto! Só vou até ali." Não adianta. Ele fica extremamente triste. A gente fica achando que está cometendo algum tipo de crime, porque para ele talvez ir embora seja um crime.
Muito esperto, muito.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cazuza cantava:

"Que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou"

E eu escrevo:

Que coincidência é a vida, eu nunca mais vi você

A morte para mim

A morte, para mim, é uma espécie de sono prolongado onde, durante os sonhos da morte, não se revive o dia, mas a vida toda.

domingo, 12 de julho de 2009

Minhas continuações

Eu gosto de ler textos que não tem um fim. Textos que contam um pedaço de uma história ou relatam uma experiência, mas que não acabam. Uma frase encerra aquele relato com um ponto final, mas a história fica assim meio suspensa. Então eu começo a criar o que viria depois. Eu começo a colocar a minha vida naquele texto e as coisas ficam com a minha cara. Eu li sobre uma noiva que conhecia o pai do noivo. O encontro é puro, é bonito. Aquele texto termina com uma frase "e caminhamos calmamente para o carro" mas não acaba a história. E eu, na minha cabeça, criei um abraço, um casamento bonito e, como minha imaginação sempre manda no final, ninguém nunca mais sente frio. Não sei porquê, mas nas minhas histórias as pessoas não acabam felizes para sempre, elas apenas nunca mais sentem frio. E ficam com as mãos entrelaçadas, para o resto do que for. Felizes, é claro, mas não para sempre, por que a tristeza é linda. Tem que ter um pouco de tristeza entre um para sempre e o outro. Pelo menos nos meus finais.
Estou me sentindo um enorme e grosso livro de clichês.

Qual a escala do seu mapa?

Eu não me importo com os caminhos que você tenha percorrido até chegar no ponto onde a gente se encontrou sem querer. Você pode ter sido famoso, pode ter tido milhares de namoradas em todos os cantos do mundo, pode ter sido um cantor charmoso ou até um mendigo. [Mas o momento do nosso encontro marcou um ponto no mapa da sua vida.] Esse ponto é um começo. Esse ponto é o resto que vai vir a partir de então. As fotografias não vão sumir, as namoradas vão continuar no mapa também, mas a partir daqui eu vou estar nas fotos, eu vou sorrir com você, e o seu mapa vai se misturar com o meu. A gente vai traçar o resto juntos. Por isso, nada disso importa: eu já fui um alguém antes também.
Seremos juntos agora.
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Eterna condição


E no final das contas o melhor é assumir a solidão. Não adianta fugir para um lugar lotado de pessoas, não adianta fazer trezentas ligações ou se esconder no edredon quentinho da cama. Talvez um livro, talvez. E talvez nem um livro. A solidão grita mais alto que a música, mesmo que as caixas de som estorem. A solidão é maior que a festa mais cheia da noite. A solidão segue o caminho mais longo. O importante mesmo é não ter vergonha ou medo dela. Porque no final das contas a gente descobre que a solidão faz parte da gente. Cada pessoa no mundo guarda um pouquinho de solidão dentro de si. Das mais alegres às mais solitárias. A solidão é a eterna condição humana.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Se dissolvem as perguntas

Não fico mais me perguntando para que servem as coisas. Por quê me sinto de tal forma com relação a algumas pessoas e a outras me sinto exatamente o contrário. Não me pergunto mais do que são feitas certas pessoas e por que tanta gente não vê o que eu vejo. Eu não pergunto mais. Talvez eu tenha enjoado de tanto buscar algo que não vai me tirar deste lugar. talvez eu não tenha mais aquelas curiosidades antigas. E talvez eu saiba, talvez eu simplesmente saiba, que a resposta é tão misteriosa quanto todas as minhas perguntas...

Aquela menina

A diferença dela com as outras tantas milhões de meninas do mundo era a sua calma. Ela tinha calma para viver, para respirar e, principalmente, calma para aceitar todas as outras pessoas.

sábado, 4 de julho de 2009

Acontece

Tenho milhares de coisas para escrever. Preciso tirá-las de mim, arrancá-las dos meus pensamentos, livrar-me de todas, e são muitas mesmo. Acontece que chega a inspiração, e leva tudo embora.

Tudo isso

-E isso tudo.... É paixão?

-Não. Curiosidade.

domingo, 28 de junho de 2009

Impressão

A impressão que eu tenho é que a noite apaga o sol, todos os dias.

E o sol acende de novo, todos os dias seguintes.

sábado, 27 de junho de 2009

Branco


Dizem que quando se ama, surpreende-se ao ser amado de volta. A reciprocidade não é exigência do amor. Dizem que aquele que ama, não espera ser amado de volta, porque ele apenas sente, não sabe dizer porquê ou como. Erra-se ao esperar que o outro ame de volta. Esse tipo de amor é egoísta, mesquinho. Se o outro ama de volta, sorte dos dois. Sorte do destino. Sorte, apenas. O amor não tem causa, não tem resposta, não tem consequência. É clichê falar sobre o amor, e eu nada sei. Mas sempre achei que o amor é a como a cor branca, uma mistura de todas as cores que existem. Todos os sentimentos misturados formam o amor.
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

We used to have so much fun together

Para G.S.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Eu tinha escrito e guardei


O jeito dele de gostar das pessoas é diferente. Ele mesmo que me contou. Ele não se encanta em primeiros encontros. Ele nunca sentiu uma paixão dessas que leva tudo embora. Ele é um passarinho. E quando ele bate as asas, todo mundo espera para ver onde ele vai pousar. Mas ele não pousa nunca, ele voa. Eu criei um monte de ninhos em árvores que já nem sei mais. Claro que os meus ninhos ficaram lá, claro que foram bonitos um dia. O menino-pássaro tem muito o que aprender sobre os tantos tufões do amor. Eu posso ajudar nisso, sobre tufões eu sei. Mas eu aqui observando o seu vôo, acho que é ele quem precisa me ensinar a voar.

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terça-feira, 23 de junho de 2009

O hoje da minha irmã

Olha só que engraçado isso: minha irmã, lá na Austrália, falou que a noite daqui é dia de lá. Claro que eu já sabia, claro que isso é óbvio, claro. Mas eu nunca tinha parado para pensar direito. Eu nunca me importei com o fuso horário dos cangurus australianos, até terça passada. Ela falou ainda, brincando: "quem sabe eu espio a resposta dos seus problemas aqui no futuro e te ligo para contar!" Pensei, então, que eu nunca mais vou ficar sozinha enquanto ela estiver lá.

domingo, 21 de junho de 2009

Ele pesou a alma humana

Em 1907, um cientista completamente poético fez um experimento pesando pessoas antes e depois de morrerem. Ele criou a tese de que, como as pessoas perdiam 21 gramas após falecerem, este seria o peso da alma.

Eu não sou cientista e nem me atrevo a fazer experimentos. Apenas escrevo e crio as minhas pseudoteorias. A respeito da alma, eu acredito que não tenha peso. Ela flutua sob nossas carcaças e às vezes se perde com o vento. Às vezes ela viaja para longe e volta uns tempos depois. Nem sempre a nossa alma nos acompanha.

Minha alma, por exemplo, já nem sei. Outro dia pensei que a tinha aqui comigo, engano meu. Eu a perdi já faz um tempo, mas ainda espero que ela volte.



MacDougall é conhecido até hoje pelo seu experimento dos 21 gramas, chegando até a inspirar um filme americano. No dia 16 de outubro de 1920, o The New York Times anunciava sua morte com o título: "Ele pesou a alma humana".

sábado, 20 de junho de 2009

an outflow

I really enjoyed the movie. I enjoyed the company, the cold weather and your laugh. Everything could not be more perfect. I even felt as if I was in paris at a certain point, with the skyscrapers, the lights and everything. Nothing is wrong with you or your beautiful smile. I just hope that my lonelyness did not turn me into a cold, distant, empty person. Did it?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

True-life fairytales

Minha mãe uma vez me disse que por trás de toda história há um conto de fadas. Muitas foram as noites violentas, os silêncios ensurdecedores, as lágrimas sem sal, até me esqueço da frase da minha mãe. Como aquela vez que ralei meu joelho no chão e perdi a vontade de correr. Ou quando perdi o meu primeiro amor, o segundo e o terceiro também. Ou como acontece todos os dias quando abro o jornal e não acho nenhum conto de fadas em histórias de gente que morreu, ou que ainda vive, mas vai morrendo todos os dias de tristeza ou fome. Os fins que a gente dá mas que nunca se darão. As portas trancadas com suas chaves perdidas por aí. As tristezas que você vem me dizer enquanto chora. As pessoas que batem no meu vidro pedindo um pouco do que eu tenho. As coisas me confundem e não encontro contos de fadas. É incrível, mesmo depois de tanto tempo eu só consigo encontrar conto de fadas no colo da minha mãe.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

As três Marias

We are three little lovely parrots!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Rótulos

Adoro tentar descobrir as frases que as pessoas teriam nos seus rótulos, se as pessoas viessem com rótulos. Claro que eu já tentei criar um para mim, mas eu sempre mudo. Hoje eu entrei em um blog e encontrei uma menina que dizia que é "uma pessoa feita de pequenas saudades". Ei, menina desconhecida, posso usar o seu rótulo para mim também?
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terça-feira, 16 de junho de 2009

Ele ficou esperando

Há pouco, uma menina quase partiu para abraçar um sonho que a esperava do outro lado da calçada. Acontece que um ônibus desses de dois andares parou bem no meio da rua e a menina não pôde atravessar. O farol custou para ficar verde novamente e a menina ficou bastante irritada. Ah, mas como foi bonito ver o ônibus saindo da frente e a menina correndo para abraçar o sonho que ficou ali esperando, você precisava ver que cena mais linda.
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domingo, 14 de junho de 2009

Engano bem até

Gosto mesmo de rir do desconhecido.
É que eu prefiro rir do que me encolher de medo...
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Livro

Eu guardei o seu livro na estante dos meus livros preferidos. Prometi a você que eu o devolveria assim que terminasse de lê-lo, pois é, eu ainda não terminei. Eu li até a penúltima página e o fechei, guardei na estante. Sempre cumpro as minhas promessas e eu não faria diferente desta vez. Apenas não li o final do livro para não ter de devolvê-lo. Enquanto eu lhe dei minha vida inteira e o meu órgão vital, esse livro é a única coisa sua que eu tenho. E eu não pretendo nunca ler a última página, se você quer saber.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Perda de tempo

Não é que eu seja tola ou inocente. Eu apenas amo as pessoas muito antes de descobri-las. E na hora de descobri-las eu as descubro já com os olhos do amor, que são tantas vezes cegos. Todas as vezes, as boas e as ruins, houve o meu amor e ele nunca foi desperdiçado. Todas as pessoas que eu amei, de uma forma ou de outra precisaram do meu amor. E eu não me importo em saber se elas o mereciam, isso já seria perda de tempo.
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domingo, 7 de junho de 2009

Recado na geladeira

Só queria avisar
Que o mundo todo morreu
Que a água acabou
Que o céu se fechou
Que eu não moro mais aqui
E nem ali
E nem em lugar algum.
Tudo se foi
Sem deixar espaço para perguntas,
Respostas, ou afirmações.
Aqui nada mais cabe nem vive.
De resto, sobrou um pedaço de queijo.


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sábado, 6 de junho de 2009

Peça

Tenho procurado em outros lábios o modo como os seus lábios calavam os meus. Tenho procurado apenas, e às vezes observado de longe outros lábios que se beijam. Há dias em que me contento com a busca, e dizem ser interminável. Eu busco o silêncio e a cor que tinham os fins de tarde, que agora nem pássaros mais tem. Gosto de imaginar a minha janela cheia de árvores que balançam alegres e fazem flores a cada dia. Tem dias que nem nuvens cinzas eu vejo na janela, apenas mais um dia indo para onde vão os fins. Quando me chamam de triste, eu lembro que você não gostava da minha alegria exagerada e fico aliviada que você sabia tão pouco de mim. Em cada lugar que eu vou, espero para ver se você não chega. É triste mesmo ver a vida assim passando tão à toa, me sinto uma peça que não se encaixa em quebra-cabeça nenhum.



quinta-feira, 4 de junho de 2009

Cemitério

Sabe, eu resolvi escrever para você, porque hoje eu passei na frente de um cemitério, e ele me fez pensar que nunca é a hora certa de partir.

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domingo, 31 de maio de 2009

Olhos que não fecham

Quero dormir, mas me faltam olhos para fechar. Os olhos que tenho não fecham mais e eu não durmo. Terei de conversar com corujas e vagalumes, e quem sabe aprender a viver à noite. Meus olhos não fecham, mas não posso dizer que eu vejo tudo. Se um dia eu fechar os olhos novamente, será que volto a enxergar?



¨

terça-feira, 26 de maio de 2009

Deus,

Aqui embaixo todo mundo procura pelo Senhor o tempo todo. O chamam de milhares de nomes, o vêem em milhares de imagens. Dizem que o senhor olha feio quando as pessoas fazem coisas esquisitas e que o senhor escolhe quem vai ficar aí em cima com o senhor: não é todo mundo. É verdade mesmo? Não acredito em tudo que dizem, mas uma coisa ou outra eu até suspeito. Sabe Deus, todo mundo aqui embaixo precisa do senhor, embora muita gente não assuma. O senhor vai mesmo descer daí um dia e abraçar toda essa gente? É muita gente, meu Deus! Eu até que tenho sido boazinha, cometo apenas um ou dois pecados por dia. Será que o senhor vai me escolher pra ficar aí em cima também? Não que eu tenha medo lá de baixo, claro que não, mas ouvi dizer que por aí tem marshmellow para todo mundo e uns garotinhos de cabelos encaracolados tocando harpa. Mas harpa, meu Deus? Por que harpa? Acho que prefiro violão. Deus, será que vossa santidade poderia descer um pouquinho antes e me dar só um abracinho? Eu prometo que não contarei para ninguém, e quando eu o reencontrar aí em cima, eu finjo que nunca o vi antes. O que o senhor acha? Talvez seja só o seu abraço que possa salvar a minha vida...
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O pior fica com você

Eu perdôo todo o mal que você me fez.
Mas e você, se perdoa?
¨

domingo, 24 de maio de 2009

Not ashamed to run away




quinta-feira, 21 de maio de 2009

É, talvez a vida não seja mesmo um conto de fadas, mas eu vou garantir o meu final feliz.
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A minha garantia

Será preciso muita força do mal para derrubar todo o bem que eu construi, muita. Foi muita brincadeira de rua, muito amor de mãe, muita proteção de irmã mais velha, muitos livros do Pequeno Príncipe e do Pequeno Nicolau. Foram muitos anos de alegria para essa tristeza sua me penetrar. Pode me fazer chorar, pode me empurrar da escada, pode me desejar o mal, mas você não vai conseguir me transformar. Eu saio daqui, você vence. Mas sua vitória será temporária, porque para as pessoas do bem a vida é um conto de fadas, e contos de fadas sempre têm finais felizes.

As coisas que não são tão simples

Elas não são tão simples,
porque a gente não as olha com olhos de criança.
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terça-feira, 19 de maio de 2009

Hoje eu quis ser esse cachorrinho



Confesso que senti inveja desse olhar. Não encontrei no mundo outro olhar que eu quisesse ter mais do que esse.
¨

domingo, 17 de maio de 2009

E agora, José?

Agora limpe o que restou da festa. Talvez alguns copos jogados no chão, talvez uma ressaca das fortes, talvez muitas dívidas, muitas dúvidas, pouco sossego. Talvez não reste ninguém para ajudar a limpar, talvez reste um sorriso amarelo. Talvez, talvez, talvez, José. Mas veja José, veja quantos retratos bonitos você tem para guardar na lembrança. Não deixe de ver os retratos, José, porque é isso que restou afinal.
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Tenho saudade de pessoas


Sei que nada disso é novidade. Mas eu sinto saudade de todas as pessoas que me fizeram dar gargalhadas de madrugada e de todas as pessoas que me fizeram pensar sobre determinado assunto. E também sobre assunto nenhum, mas me fizeram pensar. Tenho saudade das pessoas que me trouxeram pequenas alegrias e também alegrias grandes. Tenho saudade de quem ficou do meu lado quando eu precisei muito e de quem notou quando eu não estava bem. Tenho saudade de quem me fez enxergar a verdade, e de quem me ensinou coisas dessas que se leva para a vida toda. Sinto saudade de amores que tive e de amores que foram embora. E de todas as outras pessoas também, sinto saudade.
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vão

Tem dias que a gente sente

Que o coração da gente

bate em vão.



segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sirenes dos meus ouvidos




Peço então que todas as sirenes dos meus ouvidos se aquietem, por favor. Quero ouvir apenas os grilos e as cigarras. Talvez eu não saiba mesmo a dimensão do que está por vir, e isso me dá um enorme prazer. Já fui chamada de sonsa. Talvez sonsa, talvez distraída, talvez indiferente ao que não posso mudar. Eu não alcanço o que está por vir, e isso explica a minha grande preferência por grilos à sirenes.

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domingo, 10 de maio de 2009

Na outra vida

Não é que a madrugada me faça companhia. Isso parece coisa de louco. É que eu gosto de silêncio às vezes, esse vazio. Todo mundo faz muito barulho. Mesmo as teclas do teclado que batem agora. É fácil fazer barulho. Difícil é calar-se e só observar. Difícil é reconhecer a solidão da noite, do escuro, e acolher-se nesse preto todo. Todo mundo dormindo e em silêncio. Sonhando com outras vidas. Eles tem razão, sabe, eu deveria dormir também. As outras vidas que eu teria se fechasse os olhos seriam muito mais coloridas e cheias de vida do que esta. Ainda mais agora, nesse escuro sem fim. Vou dormir, estou até ficando com medo. Quero viver minha outra vida. Nela as pessoas são muito mais reais do que nessa. As pessoas da outra vida me abraçam com mais vontade e quando não querem que eu fique, elas me deixam ficar. Quem vai embora são elas.
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É pedir demais querer ver-te hoje? E amanhã, e depois, e depois e o dia depois disso?
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pausa para o poeta

Às vezes um poeta se cala. Às vezes tanta coisa acontece na vida dele, que ele não consegue mais enxergar as coisas com seus olhos de poesia, e não consegue mais escrever. Ele fica surdo para o barulho das nuvens se movendo no céu e fica cego para as cores que um abraço exala. Isso passa, claro que passa. Logo o poeta volta a entender o que os passarinhos dizem (porque só um poeta consegue entender), logo ele volta a colher poesia nas flores, logo ele volta a amar. Mas às vezes até o amor pede uma pausa para o poeta.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ensaio sobre o grito

Quando a gente grita, todo mundo pensa que estamos loucos. Todo mundo pensa que o silêncio é muito mais lúcido do que o grito. Pensam que o grito é um estágio alto do desespero. Pode ser, não sei. Aquela vez quando eu gritei, ninguém me chamou de louca ou me deu um calmante. Acho que viram a alegria do meu olhar. Quando a gente grita porque está feliz, ninguém nos chama de loucos. Ou então é a única loucura que todo mundo respeita.
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terça-feira, 5 de maio de 2009

sorte de quem ama

Estou gravando um cd para levar. Enquanto ele não fica pronto, eu vou juntando minhas outras coisas: o santinho que minha mãe me deu, o amuleto da minha irmã, o beijo do meu melhor amigo e a minha paz. Eu vou levar tudo isso e o que for preciso para que eu me sinta forte. Eu acho que a gente fica mesmo mais forte só porque uma pessoa nos deu um abraço e uma coisinha, e disse que aquilo trará sorte.



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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Resposta um pouco tarde

Eu lembro que uma vez você me perguntou se eu achava que um mês era pouco tempo para se apaixonar por alguém, lembra disso? A resposta me faltou aquele dia, mas te eu respondo por aqui (se você um dia ler):

Experimente passar um dia com uma pessoa encantadora. Um dia só. Eu duvido que até a lua chegar no meio do céu, você já não vai estar apaixonado por essa pessoa. Quando alguém é encantador, a gente se apaixona. Às vezes pode demorar meses, mas às vezes em um dia nossos olhos estão inevitavelmente mais brilhantes.

Eu sei, foi assim com você...
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domingo, 3 de maio de 2009

Condição da vida

O dia passa o dia inteiro acabando,
e não podemos fazer nada a respeito.

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Coleção


Coleciono últimos olhares. Aquele de antes de perder-se por trás da curva, aquele de quem sabe que não volta, aquele que é o último. Gente que vai embora tem um olhar especial de partir.

Coleciono também sorrisos, de todos os tipos. Não só os últimos, porque eu não aguentaria: são tristes demais. Eu seria muito triste se guardasse só últimos. O meu sorriso preferido é um que não aparece só pela boca. Ele deixa os olhos pequenininhos, aparece no rosto inteiro e o resto do corpo. É um sorriso de corpo inteiro. Teve uma pessoa que não deixou nenhum sorriso para eu guardar e por isso a minha coleção nunca vai estar completa. Passarei o resto da vida sem aquele sorriso que faltou na minha coleção. Passarei o resto da vida procurando-o em outras bocas que sorriem no mundo. E se eu não encontrar, não importa, porque eu tenho tantos outros. E eu tenho o meu, que vai estar ali quando eu sentir falta, mesmo que ninguém note.
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Sabe, eu acho que ando colecionando só os últimos sorrisos, e talvez isso explique a minha tristeza.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

A little further

Adoro o som de quando você se afasta.
Será que você pode se afastar mais um pouquinho?
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Não peça

Sendo assim,
O amor para sempre,
Eu não posso ficar -
Porque tenho fim.
O amor é permanente,
E eu sou temporária.
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domingo, 26 de abril de 2009

Aos poucos me despeço


Há uma pequena parte de mim que quer ficar. Ela grita um gritinho suave, dentro de mim, pedindo que eu fique. Essa parte de mim quer rir quando o assunto é sério, e às vezes quer chorar no meio do trânsito. Essa parte de mim não pode ver um gramado, que já quer sair correndo. Ela tem medo de tudo e quase sempre quer fugir. Ela se sente perdida, tem saudades de tanta coisa antiga e tem sede de coisas que não são de beber. Essa parte de mim um dia já foi o meu todo, agora é apenas uma pequena parte de mim. É a parte que eu estou deixando de ter aos poucos, que está perdendo espaço para uma coisa maior. Uma coisa que as pessoas costumam chamar de maturidade. ¨
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terça-feira, 21 de abril de 2009

Desabafo de um segundo, tão rapidinho que já me arrependi de ter escrito

Minha mãe está dormindo no quarto da frente, não sei como, porque ouço os roncos altos de meu pai daqui. Minha irmã está está lendo com uma luz bem fraquinha, na sala de TV. Minha outra irmã acabou de me mandar uma mensagem: está super feliz em uma festa. Minha melhor amiga saiu da minha casa há poucos minutos, para voltar para a sua. Meus amigos, cada um de um lugar, hoje se comunicaram comigo de milhares de jeitos, inclusive por olhar. Falei ao telefone uma porção de vezes, mandei e recebi e-mails, abracei e fui abraçada. Falei "bom dia" e recebi sorrisos. Nada além de tempo me faltou. Mas hoje, especialmente hoje, eu me senti a pessoa mais solitária da face da terra.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

O calar-se de depois

Às vezes tudo que devemos fazer é dizer a frase que desejamos e então nos calar. Ir embora depois. Porque o que vem depois dessas frases são coisas sugadas de nós, que ainda não estavam prontas para serem expelidas. E tudo que nos é sugado, assim prematuramente, pode doer nos ouvidos de quem sugou. Não queremos dor. Ela costuma bater no vidro e voltar de onde veio.




sexta-feira, 17 de abril de 2009

Things that only a poet would know

Some questions are never meant to be aswered.
Some people are never meant to be forgotten.
And stars, they are meant to be reached.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O passado é sempre engraçado

Enquanto eu não dou risada disso tudo, sofro em agonia. Enquanto não dou risada, crio rugas, bem pequeninas, que me fazem mais velha. Rôo minhas unhas que estavam grandes há tanto tempo. E sofro bem quietinha. Mas eu espero, ansiosamente, pelo dia que eu vou olhar para trás e achar tudo isso uma tremenda tolice.

E eu vou dar muitas gargalhadas, afinal, essa é a parte boa disso tudo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Olhar de quem olha

Adoro olhar para as pessoas. Mas olhar mesmo. Quando passa uma menina linda com um vestido todo florido eu paro a frase no meio e fico admirando-a assim, sem pudor nenhum. Algumas pessoas se incomodam, mas pouco me importa. Eu gosto mesmo é de olhar. Reparo também em crianças que começam a dançar no meio da rua, que conversam com o sorvete, que correm atrás de coisas coloridas que vêem no chão. [Eu também às vezes corro atrás de coisas coloridas que vejo. Às vezes descubro coisas lindas, às vezes me iludo.] Nunca deixo de olhar as pessoas. As pessoas e os seus olhares, os seus trejeitos, os seus jeitos de se vestir ou de caminhar. Essas coisas todas revelam muito. Às vezes muito mais do que as palavras que saem de suas bocas desesperadas. Uma vez eu disse a uma pessoa que falava demais: "Se você fosse mudo, você seria a pessoa mais doce que eu conheço." Eu gosto de olhar cada traço do rosto de alguém. Cada ruga, poro, cada detalhe. Gosto de tentar decorar os traços, embora seja uma tarefa quase impossível, levando em conta que não se pode acompanhar o que o tempo faz com nossos traços, mesmo quando se fica anos e anos casado. O tempo muda os nossos traços. O tempo puxa um pouco aqui, faz algumas manchas ali, muda tudo de maneira incontrolável. E é por isso que eu gosto tanto de olhar, eu sinto que se eu deixar escapar um pouquinho, talvez eu já não reconheça mais quem eu tanto conheço.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Mas

Tenho fome,
mas empurro o prato.
Quero sair correndo,
mas me sento no sofá.
Tenho medo,
mas estufo o peito.
E vou, vou, vôo.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Insônia

Amanhã só pode ser chamado de amanhã se eu dormir? Se eu não dormir nunca mais, minha vida passará a ser um eterno hoje?
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domingo, 5 de abril de 2009

Dedico

Aos peixes que morreram para que eu pudesse comê-los. Às formigas que pisei enquanto corria apressada. Às dores de cabeça que senti durante a ressaca. Aos apertos no meu coração que vieram no dia seguinte. Às unhas que roí até o meu dedo sangrar. Aos segredos que guardei tanto que se tornaram rugas. À tudo aquilo que desperdicei por não querer mais. Aos trabalhos em grupo que só participou o meu nome no papel. Às festas que me convidaram e eu não fui. Às cadeiras que ficaram vazias porque eu não sentei. Às lágrimas que escorreram em meu nome. Aos nãos que doeram em alguém. Às laranjas que espremi mas não tomei. Aos gritos que eu não ouvi, aos gritos que eu dei, aos gritos que não dei também.

A minha dor lhes é suficiente?




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O cérebro do meu coração

Eu perdi o meu tempo tentando te entender. E você perdeu tempo tentando me explicar. Mas no fundo nenhum de nós dois perdeu tempo algum.

Eu gostaria de entrar nos seus pensamentos e me comunicar com eles.

Tenho vontade de acelerar o tempo bem mais do que voltá-lo, porque as coisas que eu fiz, eu fiz por algum motivo, mas eu queria dar uma espiadinha do que vem depois.

Em um minuto eu sinto o meu peito lotado, em outro ele já está vazio.

Eu teria milhares de peixinhos coloridos no meu quarto, se eu não tivesse que limpar o aquário, porque às vezes eu sinto uma necessidade extrema de observar peixes.

Gostaria que o meu choro servisse para resolver as coisas uma vez ou outra.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Minha cabeça eu não sei

Às vezes vejo fogos de artifício,
às vezes vejo granadas.

domingo, 29 de março de 2009

A tal da reciprocidade

Às vezes ela vem sob um olhar retribuído. Às vezes vem em um bilhetinho deixado na mesa. Às vezes escondida nas entrelinhas das frases ou em um abraço prolongado. Mas tem vezes que a reciprocidade não vem. Ou então pode até ser que ela venha escondida em um passarinho feito de papel. Mas às vezes esse passarinho precisa voar, ele só não sabe como fazer.
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Quando o mundo inteiro me diz que é errado, eu continuo. Quando eu penso que é errado, eu páro.
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quarta-feira, 25 de março de 2009

Ainda bem que Galileu estava certo


Eu sei que posso estar sendo louca e imprudente, e estou mesmo de fato. Mas eu fico com aquela velha história na cabeça, de que Galileu Galilei foi considerado louco e imprudente quando defendeu o heliocentrismo, e eu sigo em frente. Porque afinal, o resto do mundo estava errado. O Sol está sim bem no centro do sistema solar. Loucos e imprudentes são aqueles que não defendem o que acham que devem defender.

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terça-feira, 24 de março de 2009

You are not as strong as you show

I am not sad, I just can see more than you.
I see more than you show me, more than you show people.
I see your weakness.

And I like you even more because of that.
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segunda-feira, 23 de março de 2009

Vão-se os dedos e os anéis

Eu fujo sim. Porque um dia eu dei a mão e não ficaram dedos e nem anéis.
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domingo, 22 de março de 2009

A qualquer momento

Tenho um certo medo das coisas que não fiz. Elas estão entaladas dentro de mim, prontas para serem expelidas sob a forma de mil arrependimentos.
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Você, que não é perfeito

Ficou com um ou dois cds meus. Disse que eu tinha tido muitos amores e assim não dava. Disse que eu saía demais e você era calmo demais. Me enganou direitinho com aqueles olhares. Fugiu, depois voltou e aí fugiu de vez. Não disse adeus. Cortou demais o cabelo e ficou feio. Criticou-me dos pés a cabeça. Cantava alto demais no carro. Perguntava demais e odiava as respostas. Buscou todos os meus segredos na internet, e errou: eles não estão na internet. Estraçalhou todos os meus vidros, aqueles que protegiam a minha casa. Você, que não é nada perfeito, não vá a procura de perfeição: ela não existe.
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sexta-feira, 20 de março de 2009

De repente, vem a vida e muda toda a vida.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

Solidão

"A solidão, na verdade, eu acho que ela não passa de uma sobreposição de todas as suas camadas num único momento. Todas as suas camadas, todas as suas vontades, todas as suas verdades, elas se encaixam num único espaço de tempo. E ali você realmente enxerga que desde que você nasceu você é solitário."

http://www.youtube.com/watch?v=OOp0QFAnTS4
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domingo, 15 de março de 2009

Dente-de-leão


Um dia eu assoprei um dente-de-leão, aquela flor que realiza desejos, e coloquei uma das sementes num vidrinho. Fiz isso porque eu queria guardar uma das sementes daquele desejo e entregar ao desejado (que era o meu garotinho). Ele não entendeu nada. Olhou para aquele vidrinho tão sagrado para mim e fez cara de interrogação. Sorriu e colocou no bolso. Ele nunca entenderia a beleza daquela sementinha que eu guardei para ele. Nunca. Porque tem gente que entende e tem gente que não. O desejo que eu fiz com aquele sopro era simples, uma pequena bobagem. Eu pedi que ele não desistisse de mim nunca. Quando ele me deixou, eu não parei de acreditar que dentes-de-leão realizam desejos, e nem desisti de assoprá-los quando os vejo. Porque aquela flor me fez um favor enorme não realizando aquele desejo: eu jamais poderia amar alguém que não entende um vidrinho com uma semente de dente-de-leão dentro.
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sábado, 14 de março de 2009

Sorriso

Quando me lembro que o seu sorriso já sorriu só para mim eu me alegro. Por alguns poucos segundos. Porque o seu sorriso já está longe e eu nem mesmo sei se ele mudou de curva.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Enough.

Eu espero, tão conformada com a vida, que ela me traga alguma coisa extraordinária. Nada menos. Já me bastam as coisas ordinárias do dia-a-dia. Já me bastam os muitos 'nãos' e os poucos 'sims' que eu recebo. Já me bastam as mentirinhas diárias e as pequenas gargalhadas. Já me bastam. Quero algo extraordinário. Eu quero olhar para alguém como o meu pai olha para minha mãe. Mas eu quero alguém que me olhe de volta. Já me bastam as desistências covardes que me surgiram. Mas talvez o segredo seja outro, talvez o segredo seja não esperar.
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quarta-feira, 11 de março de 2009

chuva

Enquanto chove no bairro, na cidade, no Estado, em todo o país e em alguns outros lugares do mundo, há um barquinho bem no meio de algum rio, tentando se equilibrar.
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Para Oscarlina

Cara,
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A gente não se conhece, eu sei. Mas eu resolvi escrevê-la para dizer que você é uma das maiores poetas que eu já conheci. Eu, na verdade, só conheço um trabalho seu, mas acho que já é suficiente para admirá-la. Escrevo para você, porque eu queria saber um pouco mais sobre seus pensamentos, sua inspiração. Deve ter levado tempo para conseguir lapidar esse pequeno diamante, não foi? Como eu também gosto de escrever às vezes, será que você me ensinaria uma coisinha ou outra? A parte que eu mais gosto da sua poesia é a pureza. Também gosto da paz que ela transmite. Gosto de todas as estrofes, todas. É, minha cara, eu estou falando do seu filho, ele é a poesia mais linda que alguém já escreveu.
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sábado, 7 de março de 2009

Átomos

A física sempre soube explicar por que dois átomos não conseguem ocupar o mesmo lugar no espaço.



Mas ela nunca soube explicar quando eles conseguem.

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Quando eu te vejo

Acordo com vontade de não acordar. Não há sol lá fora (e nem aqui dentro). Meu celular está cheio de promessas que não vingarão, porque eu não quero. Estou cheia de expectativas, porque é assim que eu vivo. Fico meio sem saber por onde começar. Então você me liga:
-Vamos tomar um sorvete? Olhar as ruas e as pessoas? Quero te contar sobre os meus sonhos de sempre.

Então nós vamos. O papo é o de sempre, o sorvete é o mesmo sabor de sempre e não há nada de novo. Mas de repente a gente começa as risadas, também de sempre, e eu começo a ficar com vontade não só de acordar, mas de não ir dormir nunca mais. De repente você me mostra o quanto eu sou divertida, o quanto eu importo no mundo e para você. De repente, você nem sabe disso, mas você salva a minha vida. E é assim todos os dias que eu te vejo.


Obrigada, Croki.
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sexta-feira, 6 de março de 2009

O perdão é assim

-Me perdoa? -Perguntou a menininha.
-Perdôo. -Ele respondeu.

E o joelho do menininho continuou com treze pontos.

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quinta-feira, 5 de março de 2009

Clair de Lune

Será que, neste momento, em algum lugar do mundo a minha música preferida está tocando ?
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segunda-feira, 2 de março de 2009

Ceneri

Quando você foi embora, você foi cremado.
As suas cinzas em uma jarra de ouro.
E em cada carta não respondida,
em cada mensagem não lida,
em cada silêncio e desprezo,
um pouco das cinzas eram jogadas ao vento.
Algumas vozes me ajudaram a atirar todo o resto das cinzas naquela forte ventania.
Eu relutei, mas acabei atirando tudo, tudo.
Já que não se pode ressucitar pessoas que viram cinzas.
Então não sobrou nem um pouquinho.
Eu sei que as fotos que tirei com meus olhos não foram com o vento e as cinzas,
eu sei que um grilo falante ao avesso me trará pedaços de você uma vez ou outra.
Mas isso já faz parte de mim, e eu sigo conformada.
A história ficou, mas as cinzas estão agora em um vento que segue norte.
Longe de mim.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

I've decided to say goodbye for good. So this is it. Goodbye.

Formigas e diamantes


Meu pai tinha razão aquela vez, quando a formiga me picou. Ele disse: "Não chore, filhinha. Suas lágrimas são preciosas, como diamantes. Se você chorar por essa formiguinha, depois não vão sobrar lágrimas para coisas importantes."

É, ele estava certo. As lágrimas são mesmo como diamantes e vão se esgotando. Ontem eu chorava tanto que hoje eu já quase não tenho mais lágrimas. Eu ainda não descobri se chorava por uma formiguinha ou alguma coisa importante. Isso meu pai não me ensinou a identificar, mas algo me diz que é a vida que mostra as formigas e às vezes nos traz alguns diamantes.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

E depois

O mundo continuará girando, mesmo que ninguém peça.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Don't disappear

É uma rua tranquila até, e eu quase sempre passo distraída por lá. Ou melhor, passava. Até eu conhecer esse vendedor de chicletes, cujo nome eu não sei, que fala inglês. Deve ter uns quarenta e poucos anos, todos os dias veste um terno cinza bem surrado e óculos escuros. Ele chega na janela do seu carro e começa a falar com um inglês bem razoável se você quer comprar os chicletes dele, que são ótimos, que você parece uma atriz de hollywood e mais um monte de abobrinhas. O cara é ótimo. Mesmo que você esteja horrorosa e deprimida ele te anima e ainda faz você comprar aquele chiclete com gosto de isopor. Eu sempre compro. Isso já faz um tempo e eu até criei certa amizade com ele, tendo em conta que o farol dali é bastante demorado. Fiquei um tempo sem aparecer naquela rua, e ele notou. Quando eu finalmente reapareci e começamos o nosso papo, o farol logo abriu e a única coisa que ele gritou para mim, num tom meio desesperado foi:

-Please, don't disappear!

Eu achei graça a princípio. Para um americano isso não faria muito sentido, porque o que ele quis dizer faz mais sentido em português. Depois comecei a pensar, e meu amigo do farol tem toda razão. É isso mesmo que as pessoas fazem: elas desaparecem.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uma hora

Enquanto o dia ganhava uma hora, um gato comia ração. Uma folha seca caía de uma árvore velha e uma mãe gritava com um filho. O ponteiro de todos os relógios ficou parado, porque estava na hora de acabar com o horário de verão. Até o ponteiro do relógio daquela professora malvada ficou parado. Bem feito: ela esperava o marido chegar. A noite que já era longa, ficou mais longa, e a música não parou de tocar, porque ainda tinha uma hora de festa. Um avião que passava ali por cima avisou os passageiros: "Voltem uma hora nos seus relógios!" E todos os passageiros sorriram: "Ganhamos uma hora!". Enquanto os bombeiros não apagavam nenhum fogo que não acontecia naquela hora, eu, distraída, deixei a hora passar. Os ratos imundos entravam nos esgotos, as bolas de basquete pingavam no chão, as nuvens formavam suas chuvas, as barrigas de mães grávidas cresciam mais uns milímetros. E eu poderia ficar feliz que ganhei mais uma hora para o meu dia. Eu poderia sorrir ou celebrar, como todos faziam. Poderia tomar uma taça de champagne e me alegrar. Mas eu não, eu não me alegrei.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

You left a mark, and I don't need it.
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Os 50% do amor

Você falou milhares de frases desconexas e um pouco incompreensíveis.
E todas elas renderiam um post. Mas eu escolhi essa.

"As pessoas não tem culpa se você gosta delas. O sentimento é seu. A culpa é sua. A responsabilidade é sua."

Não concordo, garotinho. 50% para cada.

50% culpa de quem gosta, 50% culpa de quem é gostado. Porque ninguém gosta de alguém porque escolheu aquela pessoa, essas coisas a gente não escolhe. E ao mesmo tempo, há uma fração de segundo em que se é possível escolher: se encantar ou fechar a porta.

Os medrosos fecham a porta e põe a culpa no outro. Os aventureiros se jogam com tanta força que às vezes chegam até a quebrar alguns membros do corpo. Às vezes até um órgão vital. O coração, por exemplo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Obrigada

Andava aflita para lá e para cá, com mil coisas para fazer. Estava estressada, minha cabeça voava em mil coisas. Tinha que ir para o andar de cima do prédio, então peguei o elevador. Assim que entrei no elevador, dei de cara com ele: o limpador de espelhos. Era um senhor bem velhinho que limpava o espelho do elevador com uma calma, uma paz tão grande. Esqueci de todos os meus problemas, esqueci para onde estava indo e por que eu estava ali. Fiquei observando a calma daquele ser. Ele passava o rodinho, tirava o sabão, depois repassava, até o espelho ficar brilhante. E como ficou brilhante! Aquele senhor devia ter muita experiência, pois tinha feito um excelente trabalho. E melhor ainda: me emprestou um pouco de sua paz.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Água doce

Se eu fosse um peixinho de água doce,
E eu te desse um beijinho,
Me diga: Ele seria docinho?
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ô tempo, seu safado! Quer tratar de curar o meu coração tonto? Ô tempo, seu malvado! Achei que você curava tudo, eu ouvi dizer. Era mentira? Quer tratar de passar logo por mim, para que esse vazio se torne uma bobagem de novo?
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pode ir, meu príncipe.


Pode ir, meu príncipe. Pode pegar o seu cavalo branco e ir pela floresta! Você é o meu príncipe e eu vou sonhar com você todas as noites, mas pode ir... Eu gosto tanto do seu sorriso que dói. Vai doer tanto ver você indo embora, meu príncipe. Vai doer porque eu queria construir um castelo tão lindo para a gente morar! Com janelinhas para a gente ver a lua e as estrelas. Vai doer porque eu fiz um montão de poesias lindas para você, e eu ia deixá-las nas suas coisas, para você ir achando ao longo da vida. Mas pode ir. Eu quero tanto que você seja feliz, porque você é um príncipe tão lindo! Eu quero ver o seu sorriso em capa de jornal, em fotos de viagens, em competições que você ganhar. Que você ganhe todas! Você me fez tão bem, príncipe meu. Tão bem! Eu chorei bastante já, mas foram lágrimas boas! Eu chorei porque tudo foi tão lindo... Eu pisava no seu pé para não ser picada pelas formigas. Eu gostava de usar as suas blusas no frio. Gostava do seu beijinho com biquinho de guaxinim. Gostava de todas as suas manias: de falar "entendeu?", de ser curioso, da sua distração. Nossa, a sua distração! Como eu gostava de vê-lo viajando tão longe... Você é um príncipe lindo, aprendi a ser mais bonita, porque você me ensinou. Eu nunca não vou gostar de você, pode ir pelo bosque. Pode ir sim! Vai ser feliz, príncipe, muito feliz! Eu vou ficar aqui, e eu vou ser uma princesa boazinha, não vou chorar mais, tá bom?

Um dia você vai se orgulhar de mim, meu príncipe. Eu prometo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Eu li em um livro e lembrei de você

“Você sabe o que acontece quando a gente magoa as pessoas?” Ammu perguntou. “Quando você magoa as pessoas, elas começam a amar você menos. É isso que acontece quando se fala sem pensar. As pessoas amam você menos”. Uma mariposa fria com tufos de pêlos dorsais excepcionalmente densos pousou suavemente no coração de Rahel. No ponto em que as patas geladas a tocaram, ela se arrepiou. Seis arrepios em seu coração descuidado. Sua Ammu a amava menos.

(O Deus das Pequenas Coisas - Arudathi Roy)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Vá achar a tua menina

Talvez você encontre a menina que nunca disse eu te amo, a menina que não gosta de sair, que não escreve sobre você e nem ninguém. Tua menina deve estar em algum lugar, aquela que não te chama de nomes de bichos (porque você diz que não gosta) a menina que não come muito, que não bebe nunca, que não liga nem um pouco porque você paga todas as contas. Vá procurar em outro lugar a menina que não dá risada mesmo quando você está a mandando embora. Onde será que está a sua menina? A menina que só gosta de tocar piano e esperar acabar o seu treino. A menina que se apega a você tão rápido, mas que não desapega rápido de jeito nenhum, ela não pode ter essa doença. Você não deve perder tempo, mesmo no meio dessa sua confusão, vá achar a tua menina. Essa menina deve ser mesmo linda, eu até quero conhecer a menina que merece ouvir o seu eu te amo.

Espero

Que o fim seja breve, para que eu logo possa voltar a respirar alegremente.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O meu primeiro amor

Eu tinha um ursinho de pelúcia que era um porco. Eu devia ter uns 9, 10 anos. Ele vestia um suspensório e uma camisa social. Era pequeno, o porquinho. Eu dormia abraçada nele, acordava e o levava para onde eu fosse. Ele me dava paz, me protegia. Uma vez fui com a minha família para uma dessas viagens, devia ser a Disney, e eu levei meu companheiro porquinho. Ele não tinha nome, porque eu nunca precisava chamá-lo: ele não me abandonava. Fomos juntos em todos os brinquedos do parque, e na hora de voltar para São Paulo, eu o esqueci no banheiro do aeroporto. Ele me abandonou. Senti falta de tê-lo dado um nome, porque eu não pude chamá-lo. Me desesperei tanto, que pensei que minha vida não tinha mais sentido. Eu não queria voltar para casa, porque eu esperava que ele fosse voltar para mim. Mas ele não voltou. Ele nunca foi encontrado (ou se foi, foi por outra garotinha) e eu tive que voltar. Demorei muito tempo para superar a perda do porquinho de suspensório. Meu pai me deu outros bichos para tentar amenizar, tipo um tatuzinho cinza que usava lenço vermelho, mas nada substituiu o meu porquinho. Domingo eu faço aniversário. Completo 22 anos. E eu queria que o meu porquinho estivesse aqui para comemorar o meu aniversário comigo.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Efêmero

Às vezes eu quero uma coisa tanto, mas tanto, mas TANTO, que eu não a quero mais.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Você me deixou

Estou acostumada com respostas doces, porque você sempre me dava uma resposta doce. Talvez eu não tenha o deixado nada. Nem mais forte, nem mais sábio, mais esperto ou mais alegre. Talvez eu tenha o deixado mais cauteloso, ou talvez um pouco mais triste. Não sei qual mensagem ou qual papel eu tive na sua vida, mas eu sei que eu estou acostumada com respostas doces. Uma das coisas que você me deixou foi isso: Eu só aceito respostas doces, se não for doce eu não quero. Você me deixou mais doce.
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Para G.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Se

Se eu fosse um pouco menos do que sou, eu seria pouco demais? Ainda assim eu caberia nos seus pensamentos?

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

bye.

Como é que se despede de si mesmo?
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sábado, 17 de janeiro de 2009

Post-it na pele

Estávamos falando sobre tatuagens. Fiquei com vontade de fazer uma também. Uma que dissesse alguma coisa para mim, que todos os dias eu lesse uma mensagem no meu corpo, como um lembrete. Um post-it na pele. Talvez uma poesia, por que não?

Mas foi quando eu estava no meu carro, ouvindo uma das minhas músicas preferidas, que eu descobri o que vou tatuar.

Agora eu só preciso pensar como é que vou tatuar a minha música preferida na pele, porque ela é feita só de som. Enquanto eu penso, vou ficar sem tatuagem mesmo, eu não quero um lembrete que não me lembre de nada.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A interminável lista de coisas que eu queria saber


  1. Queria saber se Deus concorda que à noite os homens durmam, e de manhã os homens trabalhem. Se ele fez a noite ser escura só para que ninguém enxergasse nada e fosse dormir, ou se ele quis que os homens fizessem um esforço e vivessem a noite, mas ninguém o obedeceu.
  2. Queria saber se é verdade que todo mundo tem um dom. O dom de cantar, de contar, de correr, de nadar, de ser líder (como Gandhi) ou de transmitir paz (como Dalai Lama). Se for verdade mesmo, eu gostaria de saber qual o meu dom.
  3. Queria saber quem é Graça e se ela trabalha mesmo com os filhos. Porque todos os dias eu passo perto de um restaurante chique de São Paulo e vejo um monte de cestas, dessas de feira, com muitas frutas frescas e um rótulo escrito: "Graça & Filhos". A Graça é quem recolhe as frutas e os filhos a ajudam a colocá-las nas cestas e vendê-las?
  4. Queria saber se você, às vezes, pensa em mim.

Minha lista é interminável e eu não me atrevo a terminá-la.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Feliz ano novo

-Que nada! Eu penso. O único ano novo que existe é dentro da gente, e este ainda nem começou a se formar dentro de mim.
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domingo, 11 de janeiro de 2009

Enquanto espero que você venha [ou que a vida passe]

Penteio o meu cabelo. Escuto música. Enjoo da música. Passeio pelas novas fotos. Decoro os novos rostos. Escuto os pernilongos passearem pelo meu quarto. Olho o relógio (de novo). Apaixono. Desapaixono. Leio algumas páginas do meu novo livro. Fico sem entender as notícias que não acompanho. Sinto a terra girando. Pergunto a Deus se ele existe mesmo. Ele me ignora. Pergunto ao meu pai se ele está em casa. Ele grita lá do quarto que sim. (E nele eu posso acreditar). Resolvo mudar de nome. Alice. Penso na morte. (A vida é muito tola por aqui). Escrevo livros na minha cabeça. Apago algumas frases. Meu coração dispára. Não, não era o seu perfume. Meu coração demora, mas volta ao ritmo normal. Vou a procura de um motivo. Não encontro. Volto a me chamar Clara. Fecho os olhos e durmo. Amanhã é um outro dia, e a vida passou mais um pouquinho.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Intocável

Às vezes eu desgosto tanto dos meus pensamentos, mas tanto. Nem o alto volume do rádio consegue abafá-los. Nem o desvio do meu olhar, nem outros pensamentos que tento pensar emcima daqueles. O que eu faço com esses pensamentos, se eles estão dentro de mim e tudo que é de dentro é intocável?

Tudo que é de dentro é intocável?
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Esse meu sentimento de você

Eu sei que mal dá para me ver. Sei que já não é possível mais tocar nem em meus pés. Eu sei que não dei adeus a ninguém e que, de repente, subi. Sei, sei, eu sei que devia ter tocado uma última vez a minha valsinha e contado uma última piada, mas não deu. Eu tive que subir. Uma hora eu cansei de tantas mãos acenando adeus e outras cumprimentando. Eu cansei de tentar decorar olhos que eu não veria nunca mais. Eu cansei de tudo isso e encontrei um só olhar que não vai dizer adeus. Esse olhar agora só vai olhar para mim, e eu trouxe ele para cá comigo.

Sabe, já estava na hora de eu conhecer as nuvens.


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Nada retórica

E quando tudo acaba, acaba tudo?

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Disfarce do tempo

Às vezes o tempo parece que está de gracinha com a gente: ele brinca de não passar.

Tudo bem que na grande maioria das vezes ele passa depressa demais, mas às vezes ele para e deixa a gente com cara de relógio. Desses relógios bem antigos que rangem para virar os minutos.

O tempo é um tremendo de um sacana. Ele é todo sabichão e sempre faz tudo na hora certa, mas ele se esconde em momentos errados. Confude todo mundo de propósito.

A gente sempre espera que o tempo conserte tudo, como se ele fosse um santo milagroso. E é por isso mesmo que ele é um sacana: ele é um santo milagroso disfarçado de malandro.
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domingo, 4 de janeiro de 2009

Heartless

Sempre que eu viajo no reveillon eu volto com um coração a menos. Quero saber quantos corações ainda me restam.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Sobrevivi

Eu passei no teste. Não reprovei em nada. Estou bastante viva. Não morri quando me apaixonei completamente e fiquei só. Ou quando senti tanta saudade mas não pude matá-la. Não morri por causa de gente que pisou na bola, nem de gente que mentiu por maldade. Sobrevivi. Sobrevivi também depois de ter passado por apertos financeiros, depois de ver meu melhor amigo partir sem deixar recado, depois de ter ficado por muito tempo sem chão. Não morri também depois de ter perdido a confiança, a alegria, a vontade de sorrir. Posso ter ficado triste por um tempo, desanimada, desconsolada, perdida. Mas sobrevivi. Estou mais forte, mesmo que eu não consiga ver isso agora. Estou mais esperta e mais consciente. Foi uma longa batalha, foi uma vitória difícil, mas fui campeã. Que o próximo ano também venha cheio de testes, e que eu continue passando, sempre.

Feliz ano novo a todos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Temporal de dentro

Perdão pelo egocentrismo, mas eu acho que as enchentes e chuvas estão apenas refletindo o meu estado de espírito.




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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Tolice

Eu sempre pergunto ansiosa:

-Você gosta de poesia?

Mas eu suspeito de quem responde que sim.
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domingo, 21 de dezembro de 2008

Casamentos

Estávamos todos indo para o casamento da amiga da Mariana. Meu pai, minha mãe, a Carol, a Mari e eu. No caminho a minha mãe virou para o meu pai com sua vozinha doce e disse:
-Olha, bem, a sua gravata combina com o meu vestido!
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A gravata do papai sempre combinou com o vestido da mamãe, há 25 anos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A minha vida em um chapéu

Eu andava na rua e vi um homem de chápeu.
Um senhor, e ele usava um chapéu velho e preto.
Milhares e milhares de dúvidas surgiram na minha cabeça (que estava vazia de todas as outras coisas) a respeito do chapéu.
Eu imaginei se aquele senhor acordou de manhã e pensou: "Vou usar o meu chapéu hoje" ou se ele pensou: "Vou usar meu chapéu de sempre".
Pensei também se ele tem várias cores de chapéu e naquele dia resolveu usar o preto. (Mas preto é tão triste...)
Pensei se, por conta do aspecto velho do chapéu, o pai dele haveria o usado também.
Me questionei se talvez a esposa dele achasse aquele chapéu lindo e por isso ele o vestisse.
Fiquei me perguntando se ele já fez algum remendo no chapéu, se é o chapéu preferido dele, se ele comprou ou alguém deu para ele.
Por último eu me perguntei se aquele chapéu seria importante para ele, ou se era apenas um velho chapéu.
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Sabe, aquele chapéu insignificante me fez repensar em todo sentido da vida.
Será que eu tenho também coisas imensamente insignificantes tão cheias de significados?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Poesia de música

Adorei como o John Mayer descreveu um relacionamento acabando: "dançando música lenta em um quarto pegando fogo".

Eu fui logo pegar o extintor de incêndio.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tópicos da minha madrugada

1. Did you miss me while you believed in strangers?

2. Quando se fala muito, corre-se o risco de falar demais.

3. Eu não queria ter conhecido aquele seu olhar antes da hora, tive medo do seu olhar.

4. Quando se faz uma escolha, deve-se afogar todas as renúncias no oceano, e não olhar para trás.

5. Por favor não tenha pressa. Esse é o tempo da correnteza do rio, se você se apressar, pode morrer afogado.

6. I love when you sound so interested in my day.

7. Acabo de me dar conta que eu avalio pessoas pelo modo como elas chamam o garçom. Até hoje não encontrei ninguém que tratasse o garçom exatamente do jeito que eu gosto.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Não adianta

Estou sim adiando a nossa conversa. É muita coisa que fica perdida na tradução de um sentimento partido. Não vamos entender, nem eu e nem você. Tanta coisa incompreensível...
Sobre o quê iremos falar? Sobre o que você nunca disse? Ou sobre o que eu sempre tive que adivinhar?
Podemos então falar sobre a praia que sempre ficou nos esperando, que eu fiquei esperando, mas você não me levou. Podemos falar também sobre as fotos que eu sempre quis tirar, mas você nunca levou a máquina. Ou então a gente pode falar sobre todos os textos que eu escrevi para você, mas você nunca disse nada. Você gostou?
Essas coisas a gente pode sim falar, mas por favor, não me pergunte por que eu fui embora.
Eu fui embora porque um dia eu percebi que o amor não é mudo. Porque eu percebi que eu quero ficar rouca de tanto conversar de madrugada. Porque eu vi como o horizonte é infinito e eu quero andar nele até cansar. Eu fui embora porque eu vi como a vida estava me chamando e eu não podia mais deixar o tempo passar assim, tão à toa.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O meu jardim

Existe vida a essa hora da noite? Existe vida nos seus olhos agora, ou eles estão apagados? Existem pensamentos nos seus sonhos, ou apenas figuras desconexas? Eu sou uma figura desconexa nos seus sonhos?

Às vezes você me olha de um jeito que eu penso que sou uma figura desconexa do mundo.

Eu penso se, quando você se sente sozinho, você se lembra que a minha mão pode segurar a sua. Eu não penso na sua mão quando eu estou sozinha. Eu prefiro pensar num jardim enorme onde eu posso correr. Você agora dorme?

Eu durmo. E no meu sonho, o jardim onde eu corro é a sua mão.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A falta de plumas do mundo

Ela podia ser minha amiga. Podia ser minha colega, minha prima, minha sobrinha, até a minha irmã. Mas não, ela não era nada meu. Nem conhecida. Aquela era a primeira vez que eu me deparava com aquela garota. A garota que recebeu um não da vida e que dormia na calçada. Tive vontade de chorar, um embrulho do estômago. Não consegui fazer como todos faziam, passando por cima e seguindo os seus caminhos. Também não havia muito que eu pudesse fazer. Só consegui ficar ali parada e olhar os seus olhos cheios de dor, que dormiam. A garota tinha roupas rasgadas, meias rasgadas, tênis rasgado e a alma profundamente rasgada. A única coisa que não havia se rasgado (tanto) era a sua beleza. E aquilo me doía mais. Ela podia ser minha amiga. Podia estar dando risada tomando um café comigo por aí. Mas não, ela estava deitada na calçada, por falta de onde deitar. Não, ela não tinha motivos para dar risada e nem dinheiro para tomar um café. Pensei em quem é que escolhe quem vai deitar na calçada e quem vai deitar em plumas. Pensei em quem escolheu aquela garota para deitar ali. Quem teve coragem de dizer: "Você não vai ter oportunidade. Você vai sofrer e dos seus olhos só sairão lágrimas. A sua alma vai estar rasgada e essa vai ser a sua condição." Quem é que tem coragem de escolher o sim e o não? Quem tem coragem de dizer não a olhos tão tristes? Quem teve coragem de tirá-la de uma cama? Quem não inventou mais espaço no mundo para as pessoas não precisarem deitar na calçada? Como consegue alguém deixar que algumas almas se rasguem? Só conseguia pensar em como ela podia ser minha amiga, mas não. Ela deitava na calçada.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

só esquece.

Esquece tudo que eu te falei até agora. Era tudo mentira e eu desisti: não quero mais te contar a verdade.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

yell at me

Depois de escutar o seu silêncio, eu acho que prefiro o seu grito.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Estação das flores

Acho incrível as flores terem as suas estações para aparecer. Algumas no verão outras no outono. Algumas são do frio e outras abrem quando as folhas das árvores caem. Eu costumava perguntar para minha mãe: "Quando é época de joaninhas?" Só mais tarde eu fui descobrir que eram as margaridas que tinham se fechado, fazendo as joaninhas esperarem em algum outro lugar. Onde se escondem as flores quando não é a estação das flores? Acho lindo as flores ficarem pacientes esperando a sua época do ano para florecer. Se o sol chegar mais cedo, as flores florecem mais cedo também? E se a chuva prolongar, elas tem de esperar mais tempo? Quando alguém as arranca do chão, elas sobrevivem pouco tempo no vaso. O vaso as deprime. O vaso é uma jaula. Eu não gosto de vasos. E se eu fosse uma flor, eu iria nascer fora de época, porque o meu sol já apareceu e nem era a minha época.

domingo, 30 de novembro de 2008

Em breve

Eu te encontrarei em breve, muito em breve. Quando a chuva parar de inundar o mundo e os meus olhos. Quando as ilhas pararem de flutuar sobre as águas do mundo e da minha mente. Quando eu souber escutar os pedidos de ajuda, quando eu lembrar o nome das pessoas que me ajudaram. Eu lhe avistarei de longe. Será como quando alguém que anda pelo deserto consegue enxergar a alguns metros um poço d'agua. Como quando uma criança se perde da família e depois reconhece os pés de sua mãe. Ou quando acaba a energia e se fica no escuro por muito tempo, a luz volta e as coisas parecem voltar ao seu rumo. Eu vou achar o meu rumo quando eu escutar o seu pedido de ajuda, e eu vou lembrar do seu nome.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

As mãos que eu soltei

Odeio despedidas, mais do que todo o mundo. Principalmente porque eu nunca consegui segurar a mão de alguém que eu nunca mais quis soltar. Todas as minhas despedidas são tristes, desesperadas e me ardem tanto, porque elas apenas me lembram das mãos que eu soltei.
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sábado, 22 de novembro de 2008

Ei,

Só porque você tem uma medalha de ouro no seu pescoço não significa que você venceu.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Curva

Não era de você que eu gostava, era da curva que o meu sorriso fazia quando eu ficava do seu lado. Acho que o meu sorriso ficou agora reto.

Secretamente

Eu quis, secretamente, que ele não viesse.
Quis ficar em silêncio só com os meus sons.
Não quis escutar mais nada além de mim,
E nem ter que espalhar as minhas palavras pelos ouvidos dele.
Mas ele veio.
Ele veio e trouxe milhares de barulhos, cheiros e caras, dessas que ele faz pra tentar me seduzir.
Eu tive de dividir os meus sons com os dele.
Os meus cheiros com os dele.
Os meus pés também.
E tive que fazer aquelas caras que eu faço quando o resto do mundo não me interessa mais.
A gente riu: eu dele e ele de mim.
E então eu quis, secretamente, que os pés dele nunca mais andassem para longe dos meus.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Cadê o meu milagre do dia?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Arre-perder

O que eu faço com o arrependimento?
Jogo num rio, onde ele se dissolverá e sumirá para sempre?
Dou para você guardar de souvenir, junto com seus outros caprichos?
Guardo para mim, e deixo que ele me encolha?

O que eu faço com o arrependimento, diz?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Platão de perto

Eu queria que você ficasse me olhando de longe, enquanto eu estivesse distraída. Queria que você escrevesse poemas secretos para mim e eu nem imaginasse. Queria que você olhasse minhas fotos, procurasse os meus amigos e chamasse o meu nome sem eu saber. Eu queria que você me descobrisse antes, que eu fosse escolhida por você. E que assim, bem de repente, nossos olhares se encontrassem, depois de tanto se procurar em outros olhares.
Você é dessas pessoas que observam as outras de longe?

domingo, 16 de novembro de 2008

Os morangos da minha irmã


A minha irmã tem cheiro de morangos. Não sei como ela faz isso, mas mesmo no dia de maior calor, mesmo sem perfume, mesmo dormindo, o seu cheiro é de morangos. Eu nunca disse isso a ela, e acho que ela nem sabe, mas sempre que ela fica longe por um tempo, até os morangos ficam sem cheiro.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Tênis de corrida

Eu queria escrever alguma coisa, mas tenho medo que você leia e saia correndo. Eu tenho um medo constante de que as pessoas saiam correndo, mesmo porque as pessoas estão no direito de saírem correndo. Eu sempre saio correndo, bem mais do que o mundo todo. Acabei de terminar uma longa corrida, e não venci, porque não era dessas corridas que alguém na frente ganha. Não sei porquê exatamente, mas acho que eu não vou correr de você. Só que eu não tenho certeza ainda. Então eu deixo o meu tênis ali, só para garantir.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Pequena constatação

Eu poderia criar um enorme dicionário das palavras que eu digo mas ninguém pode entender. E mesmo nessa incomunicação que tenho com o mundo, eu bem que consigo fazer poesia.

sábado, 8 de novembro de 2008

Um poeta sem alma

Manuel Bandeira recomendou-me, em um de seus poemas libertinários, que largasse a minha alma, se eu quisesse sentir a felicidade de amar. "Porque os corpos se entendem, mas as almas não". Sim, eu largarei minha alma. Deixarei-a vagando por aí, infeliz, solitária, perdida.

Largarei-a para que ela se encontre em um nirvana profundo do paraíso das almas. Largarei-a em uma esquina, sem nenhum radar. Deixarei-a em paz, na paz que as almas encontram quando encontram a si mesmas.

Eu deixarei minha alma passear pelo mundo, pelos cantos, pelas casas e pontes, para que eu encontre a felicidade de amar.

Mas peço a ela, a alma que é, que não me abandone. Que vagueie por muito tempo, que se incomunique com outras almas, que se encontre em espelhos do mundo. Mas que volte para o meu corpo. Porque há muito tempo ele já sente a falta desta alma.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Nem cinco minutos

Sou uma pessoa muito demorada. Demoro para me vestir, para comer, para tomar decisões. Resolvi adiantar meu relógio em cinco minutos, só para ver se me acelerava.

Hoje eu finalmente notei que eu estava envelhecendo cinco minutos. Eu estava vivendo cinco minutos na frente do tempo. Eu estava adiantando a minha vida. Pior: Adiantando a minha morte!

Atrasei cinco minutos o meu relógio. Prefiro chegar sempre atrasada do que viver cinco minutos a menos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O seu chamado

Estou me escondendo de você, porque eu sei que sou fraca e não resisto ao seu chamado.

domingo, 2 de novembro de 2008

Estou morrendo de vontade de dizer Eu Te Amo.

Só não sei exatamente para quem...

sábado, 1 de novembro de 2008

Presa

É meu passo que prende.
É meu olho que sente.
É você que vem, é o que sei.
Eu sinto o seu cheiro, de gente que chega.
Se a gente vai, é pra lá que vamos.
Você quer ficar, nos amarramos.
Mas eu não vou, sou eu que fico.
Porque é o meu passo
-o que me prende.

A sua boca não pode dizer adeus

Se for pra me dizer que vai
Não diz
Só se for pra ficar
É que eu vou ouvir.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

How I feel


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O pai e a filha (ou a minhoca e o urso)

A filha chegou em casa toda chorosa. Logo se esparramou na cama do pai e chorou tudo que a incomodava: o coração, o trabalho, a faculdade e todas as suas picuinhas de filha. O pai ficou de certo um pouco preocupado: bolou gráficos, tabelas e métodos para melhorar a alma bagunçada da sua pobre filha. Explicou-lhe sobre meninas que andam vazias e precisam de outros artefatos para se preencher, sobre como conseguir sair de onde está, sobre propagandas de conhaques italianos e sobre outras coisas que só a filha e o pai podem entender. A filha enxugou suas lágrimas e se conformou por hora. Abraçou o pai e foi tratar dos seus desesperos. O pai ficou parado por uns instantes e sorriu. O desespero da filha, suas lágrimas tristes e inquietude eram mesmo ruins, mas ele não podia deixar de alegrar-se em ver que sua filha ainda precisa dele, e muito.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Não conto




Eu tenho segredos que escondo até de mim mesma. Esses segredos eu levarei ao meu túmulo. Serão todos comidos pelos vermes que se infiltrarem no meu corpo esverdeado.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Frustrated Fears

I am scared of the possibility of being alone. Scared of the possibility of getting lost. Of the possibility of not doing what I really desire to do, and not doing what I think I was made to be doing (Because right now I do what I do, no pleasure gained). I am scared of not finding my better-half. I am scared that he's lost out there and he won't find the way to my arms. I am scared of so many people in the world: will I be forgotten? Will I ever be noticed? I have so many fears and they are so heavy, that I am scared I might not be able to walk with this weight. I am so scared of all the possibilities I have from the moment I wake up, but I am mostly scared of not seeing them, and letting them go before my eyes. Like I always do.

domingo, 26 de outubro de 2008

Engolir as palavras me dói tanto quanto pronunciá-las.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

In-definitivo

Quando você foi embora eu descobri que nada é definitivo. Quando eu fui embora eu estava com medo de ficar definitiva. Hoje eu só quero que dure até amanhã.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Partes

Bem naquele segundo em que eu olhei para fora da janela, eu deixei de te amar. Você nem sabe, mas eu não o amo mais. Foi muito rápido: eu nem tive tempo de pensar. Agora eu só amo algumas partes de você. Eu amo o canto embaixo da sua orelha, parece que lá sempre tem um pouco do seu perfume. Eu amo o instante antes da sua boca sorrir, quando os lábios estão se transformando em sorriso. Eu amo o seu abraço, só porque eu tenho medo de procurar outros braços. E eu amo os seus olhos, mas só quando eles não estão olhando para mim.


domingo, 12 de outubro de 2008

O rei solitário

Naquele dia, o sol não me parecia tão grande quanto diziam os cientistas.
Ninguém jamais poderia botar os pés naquela bolinha amarela,
Porque era quente demais, grande demais, e tinha fogo demais.
Eu aqui com tanto frio.
Ele lá emcima, de fogo, sozinho.
Eu aqui embaixo, de pele, sozinha.
Ele rei soberano de toda a via láctea, sozinho.
Eu aqui, sozinha, tentando entender tanto fogo.
Ele solitário como eu.
Questionei todos os cientistas e a humanidade naquele dia.
O sol não é rei, não é o que manda nos movimentos da terra, não é quem define as estações.
O sol, para mim, é como eu: apenas uma bolinha

na solidão do universo.

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